O socialista Ferro Rodrigues afirmou que Cavaco Silva parece ter usado uma "esponja" sobre o passado recente, no discurso que fez nas comemorações do 10 de junho, esta quarta-feira. O líder da bancada parlamentar do PS considera que se trata de um mau sinal para um Presidente da República que vai desempenhar um papel de grande importância no período eleitoral e pós-eleitoral.

"Hoje parece que houve uma esponja sobre o passado recente e isso é muito mau sinal para um Presidente da República que vai desempenhar um papel importante no período eleitoral e pós-eleitoral."


Para o socialista, o discurso do Presidente da República foi "totalmente colado" à narrativa da coligação de direita, frisando achar "muito estranho" a ausência de uma referência às políticas de empobrecimento que, lembrou Ferro, foram motivo de referência noutros discursos anteriores.

"Acho muito estranho que o Presidente da República não tenha feito qualquer referência à maior crise global que houve desde 1989 e que teve consequências gravíssimas e que não tenha feito referência às politicas de empobrecimento, de que falou várias vezes noutros 10 de junho."


Sobre os objetivos enumerados por Cavaco para Portugal poder olhar o futuro com confiança, Ferro afirmou que o programa do PS responde a várias dessas questões.

"Todos nós temos esperança no futuro do Portugal e o programa do PS responde a várias questões colocadas pelo Presidente da República."


"Fiquei chocado"

 
O PCP, pela voz de António Filipe, também criticou as palavras de Cavaco, afirmando que o discurso passou "ao lado daquilo que são os reais problemas do país" e que procurou dar a visão de um país "idílico" que não existe e no qual os portugueses não se reveem.
 

"Foi o discurso que passou ao lado do que são os reais problemas do pais. Pretende dar uma visão de um país idílico, que não corresponde à realidade da maioria dos portugueses."


António Filipe foi mais longe dizendo que ficou chocado com o discurso de Cavaco, por considerar que se tratou de um discurso "partidário", alinhado com o governo e de intervenção na campanha eleitoral. 
 

"Mais parecia o discurso de um candidato às eleições legislativas. Foi colado ao discurso da maioria governamental. fiquei particularmente chocado. Vindo de alguém que se devia assumir como presidente de todos os portugueses e que se assume como um participante ativo nestas políticas. É um discurso partidário, de intervenção na campanha eleitoral."