O PSD afirmou esta quinta-feira que a troika transmitiu aos deputados preocupação com a flexibilidade salarial na economia como um todo, tendo o FMI recusado contradições entre a linha seguida em Portugal e as declarações da sua diretora-geral, Christine Lagarde.

«Não houve qualquer novidade nesse sentido, referiu que o seu enfoque não é no salário mínimo, eu retive a mensagem que a troika está preocupada com a flexibilidade salarial, não só no privado, mas da economia como um todo», afirmou o deputado social-democrata Miguel Frasquilho, no final da reunião da troika com os deputados da comissão eventual que acompanha a implementação das medidas do programa.

Questionado pelos jornalistas sobre que tipo de medidas estaria a troika a referir-se relativamente à flexibilidade laboral, o deputado diz que troika não disse e que «foi mais uma vez evasiva».

Evasiva terá sido também quando foi confrontada com as contradições entre a estratégia aplicada em Portugal e as palavras da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) terça-feira em Bruxelas, onde defendeu que devia ter sido dado mais tempo a Portugal.

Segundo Miguel Frasquilho, a troika defendeu que as palavras de Lagarde foram colocadas fora do contexto e que o discurso completo da francesa mostra que «não existe discrepância».

O PSD não concorda, e diz que, perante isto, «teria sido melhor, tendo havido alterações ao programa e adaptações no passado, que elas pudessem ter sido mais adequadas, isso teria sido melhor para todos e teria também beneficiado o processo de ajustamento».

Miguel Frasquilho diz ainda que o PSD questionou a troika sobre se não seria altura de se retirarem ilações sobre essas mesmas discrepâncias que encontram, mas a troika fugiu novamente à questão.

«A troika foi bastante evasiva, o que aliás também não é uma novidade, costuma ser bastante evasiva nestas reuniões», disse.

Ainda assim, o PSD nota que para a troika existe «uma possibilidade boa de que Portugal possa terminar o programa de uma forma favorável e na data prevista, em junho de 2014», mas tanto a troika, como o partido, defendem que o ajustamento terá de continuar para além dessa data.

«Isso não significa que o ajustamento possa não continuar, não, o ajustamento vai continuar para lá de 2014, o que implicará que naturalmente o desendividamento tenha de continuar, nós sabíamos disto e transmitimos essa mensagem à ¿troika'. A ¿troika', evidentemente, confirmou que o fim do programa não significa o fim do processo de ajustamento», cita a Lusa.