A líder do BE, Catarina Martins, disse hoje já ter pedido esclarecimentos sobre as obras na ponte 25 de abril e adiantou que há necessidade de clarificar quem paga as intervenções.

"Já pedimos esclarecimentos de dois tipos. Por um lado, naturalmente, sobre a necessidade das intervenções e, por outro lado, também sobre as responsabilidades financeiras dessas intervenções, porque lembro que a ponte é explorada por um privado", afirmou Catarina Martins.

A coordenadora do BE falava durante uma visita a Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, sobre as obras de emergência que vão ser efetuadas na ponte 25 de abril.

O Bloco, achando naturalmente que as intervenções devem ser feitas, também se interroga sobre se tem sentido um privado ficar com todo o lucro das portagens e ser o Estado a pagar as intervenções nas obras, quando é necessário. E, parece-nos que o modelo de Parceria Público-Privada é um modelo ruinoso de investimento no país e este é mais um exemplo disso mesmo".

Ontem, o presidente da Infraestruturas de Portugal, António Laranjo, disse que todo o investimento na obra será suportado pela IP, já que a Lusoponte apenas “tem uma concessão” daquela infraestrutura, tendo referido, também, que a obra de reparação  “não é urgente”.

Nessa concessão, a obrigação que a Lusoponte tem é de tratar o seu pavimento e a camada de desgaste, a camada infraestrutural é tudo pela IP”.

 

O presidente da IP assegurou ainda “que a ponte vai continuar aberta” e a funcionar normalmente até às obras e durante as mesmas.

O anúncio das obras foi feito pelo Governo ontem, através de um comunicado da IP à imprensa. Precisamente um dia antes de a revista Visão noticiar que o Governo recebeu no mês passado o relatório do LNEC que alerta para a necessidade de “medidas urgentes” de reparação da ponte, depois de “terem sido detetadas fissuras e parafusos soltos, numa zona estrutural da travessia.

A Ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, reagiu à polémica depois do Conselho de Ministros de hoje e foi interrogada sobre o facto de o LNEC ter entregado este relatório há um mês e o lançamento do concurso ter sido anunciado apenas na quarta-feira, já depois do fecho da edição da revista. A governante foi perentória: "é uma coincidência". Disse, também, que o Governo reagiu "em tempo adequado".