O PCP apresentou, esta quinta-feira, Edgar Silva como candidato às eleições presidenciais em janeiro de 2016.

Edgar Silva é deputado do PCP na Assembleia Legislativa Regional da Madeira. O nome foi aprovado por unanimidade no Comité Central dos comunistas.

A candidatura, informou o líder comunista, será apresentada a 15 de outubro em Lisboa e "irá inscrever nos seus objetivos" a "construção de uma ampla campanha de esclarecimento e mobilização para o voto".

Os comunistas referem que as presidenciais de janeiro de 2016 "assumem uma grande importância no quadro da atual situação do país", e "pesam sobre o regime democrático velhas e novas ameaças que visam" o "empobrecimento e descaracterização" de Portugal.

Nesse sentido, a candidatura de Edgar Silva é, frisou Jerónimo de Sousa, "verdadeiramente coerente e combativa" e dirigida a "todos os democratas e patriotas" e ao povo português.

Edgar Silva nasceu em 1962 no Funchal, onde estudou até ao final do 11.º ano. Rumou depois ao Continente, onde frequentou o Seminário de Almada, em Setúbal ( 1980-82), seguindo depois para o Seminário dos Olivais (Lisboa). Ingressou na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), onde fez a licenciatura em Teologia e frequentou o curso de mestrado em Teologia Sistemática, concluído em 1987.

Regressou ao Funchal no mesmo ano e foi nomeado para a equipa de coordenação do Seminário do Funchal. Em 1993 foi nomeado pela Conferência Episcopal Portuguesa para o cargo de Assistente Nacional do MCE (Movimento Católico de Estudantes), em Lisboa. Em 1996, regressou à Madeira como objector de consciência para o cumprimento do serviço cívico no trabalho com crianças de rua e foi candidato independente nas listas da CDU à Assembleia Legislativa Regional da Madeira, tendo sido eleito deputado regional.

Em 1997, comunicou ao Bispo do Funchal a sua desvinculação em relação ao exercício do ministério sacerdotal, inscrevendo-se, nesse mesmo ano, no PCP.
 

"É para ir a votos"


O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, frisou hoje que a candidatura comunista de Edgar Silva à Presidência da República "é para ir a votos" e se existir uma segunda volta o partido fará uma nova análise.
 

"Não está no nosso horizonte desistir. Levaremos esta candidatura até ao fim. Se existir uma segunda volta logo veremos.


A candidatura comunista vai a votos "com base no projeto fundamental da valorização da Constituição da República Portuguesa".

A decisão de avançar com uma candidatura própria e autónoma foi feita "sem nenhum compromisso a não ser com os trabalhadores e o povo português", sublinhou Jerónimo de Sousa, desvalorizando a importância, para o PCP, de outras candidaturas surgidas à esquerda, como a de António Sampaio da Nóvoa.
 

"Foi uma decisão autónoma, própria, para ir para a batalha sem condicionalismos".


Não obstante as "características próprias" da eleição para Belém, esta "não está desinserida da vasta e prestigiada ação coletiva dos comunistas, democratas e patriotas" pela "rutura com a política de direita, por uma política patriótica e de esquerda".
 

"Defender o regime democrático consagrado na Constituição e fortalecer as suas raízes na sociedade portuguesa é projetar no nosso próximo futuro os valores de Abril e o seu horizonte de liberdade, igualdade e justiça social, de fraternidade, de participação política, independência e soberania nacionais".