O eurodeputado João Ferreira afirmou hoje querer o presidente da Comissão Europeia (CE), o luxemburguês Jean-Claude Juncker, a responder em Bruxelas sobre o denominado caso «Luxembourg Leaks» e adiantou haver contactos com outras bancadas para uma moção de censura.

«É uma iniciativa do Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica em que os deputados do PCP estão inseridos. Foi por proposta dos deputados do PCP que o grupo tomará a iniciativa de pedir a vinda do presidente da CE ao Parlamento Europeu (PE) e está, para além disso, em preparação essa moção de censura», esclareceu, na sede comunista, em Lisboa.

Segundo o parlamentar comunista, eleito pela Coligação Democrática Unitária (PCP, «Verdes» e Intervenção Democrática), «uma moção de censura à atividade da CE exige um mínimo de apoio de 10% dos deputados do PE, são 76 deputados» e o «grupo da EUE/EVN tem 52 deputados», o que «exige que outros deputados de outros grupos políticos possam subscrever essa moção para que seja discutida», estando, «neste momento, a ser desenvolvidos esses contactos».

«Sobre as responsabilidades e envolvimento do presidente da CE em processos de evasão fiscal que sifgnificam um gigantesco roubo de receita fiscal a vários estados, os deputados do PCP tomaram a iniciativa de pedir a sua ida ao PE para explicações sobre este caso, dado ter exercido, no período em questão, o cargo de primeiro-ministro do Luxemburgo», sintetizou.

A eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias, membro da direção da EUE/EVN, questionara esta quinta-feira a CE sobre que medidas que tomará sobre os acordos fiscais secretos entre empresas e o Luxemburgo e a legitimidade de Juncker para continuar no posto.

Uma investigação jornalística internacional divulgou o «Luxembourg Leaks», revelando acordos secretos que mais de 300 empresas fizeram com o Governo do Grão-Ducado para fugir aos impostos noutros países. O sucessor de Durão Barroso na CE, Juncker, foi primeiro-ministro do Luxemburgo entre 1995 e 2013.