Os líderes parlamentares do PSD, Fernando Negrão, e do PS, Carlos César, assinam um projeto de resolução para que sejam concedidas honras de Panteão Nacional ao antigo Presidente da República e primeiro-ministro Mário Soares.

Este diploma, cuja entrada foi formalizada na Assembleia da República, é assinado também pelos deputados socialistas Miranda Calha, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Sérgio Sousa Pinto e Hortense Martins, bem como pelo deputado social-democrata Duarte Pacheco.

"O apelo é à perpetuação da memória e do legado de um homem livre, que serviu a liberdade, pelo povo português a que se honrava pertencer. Uma memória que necessariamente significa gratidão. Um legado de cidadania política, de sentido de Estado e de abertura à Europa e ao mundo", lê-se na exposição de motivos deste diploma.

Para os subscritores do diploma, Mário Soares, ao longo da sua vida, representou "combate, resistência e inspiração". "É a primazia que dedicou ao processo de transição democrática, à instituição de um regime pluralista, é a tenacidade que impôs na elaboração de uma Constituição fundada em valores pluralistas, é a cara da nossa liberdade, é, sobretudo, um homem que fez História sabendo que a fazia e que sempre recusou demitir-se do futuro", refere-se também no mesmo projeto de resolução.

Por estas razões, os subscritores do diploma entendem que o Portugal democrático, "o país de Mário Soares, deve-lhe uma homenagem, o reconhecimento que acompanhe o agradecimento dos portugueses, as honras do Panteão Nacional".

Marcelo concorda plenamente

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou-se totalmente de acordo em que sejam concedidas honras de Panteão Nacional ao antigo chefe de Estado e primeiro-ministro Mário Soares.

Eu concordo plenamente e, isso, dá razão a uma observação que fiz há uns tempos de que se devia pensar a lei para não ter de ser mudada com esta periodicidade, devia ser repensada para ter a latitude suficiente para poder abarcar situações como esta justíssima do Presidente Mário Soares”, afirmou Marcelo à margem da inauguração da exposição “Boa Viagem, Senhor Presidente! 100 anos da Primeira Visita de Estado”, na Alfândega do Porto.

Segundo o chefe de Estado, tem de se encontrar uma solução que não seja “tão rígida” que, depois, o parlamento tenha de “modificá-la, alterá-la e agitá-la caso a caso”.