A candidata presidencial apoiada pelo BE Marisa Matias disse esta quarta-feira que Portugal precisa de um verdadeiro Plano Nacional de Combate ao Alzheimer, considerando que o Presidente da República deve dar voz aos setores invisíveis.

À imagem do que tinha acontecido na campanha eleitoral para as europeias de 2014, na qual foi cabeça de lista pelo BE, Marisa Matias visitou hoje o Centro de Dia Professor Doutor Carlos Garcia, em Lisboa, considerando o problema das demências, para doentes e cuidadores, "tem que estar na agenda obrigatoriamente e independentemente do cargo".

"O Presidente da República tem a capacidade de dar a voz e pôr em diálogo os setores da sociedade que são mais invisíveis. Este é um deles", disse, defendendo que Portugal precisa de "um verdadeiro Plano Nacional de Combate ao Alzheimer".

A candidata apoiada pelo BE, que desenhou a estratégia europeia de combate ao Alzheimer, observou ainda que esta é uma "daquelas áreas em que à luz da dignidade e de outros direitos consagrados na Constituição tem que o Estado assumir um papel fundamental para que ninguém fique sem acompanhamento".

"Continuamos a ter muitos problemas para resolver. A questão dos cuidadores e das famílias é fundamental. Para além de termos um Serviço Nacional de Saúde universal precisamos de uma preparação para realidades como estas das demências que cada vez afetam um maior número de pessoas", enfatizou.

Segundo Marisa Matias, associações como a que hoje visitou "desempenham um papel fundamental e excecional, mas não chega de forma nenhuma para aquilo que são as necessidades existentes".

"É sistematicamente ignorado que a maior parte dos casos destes doentes ficam completamente dependentes das suas famílias e dos cuidadores. São 24 horas por dia de atenção que são necessárias", alertou.

Para a eurodeputada bloquista é essencial "garantir que há igualdade e dignidade também para aqueles que não têm voz".

Marisa Matias escusou-se a alimentar a polémica com o seu opositor Marcelo Rebelo de Sousa, que acusou terça-feira de ter mentido relativamente à posição que havia assumido sobre a constitucionalidade do Orçamento do Estado para 2012 durante o debate entre os dois candidatos.

Questionado na terça-feira pelos jornalistas, o candidato com recomendação de voto por parte do PSD e do CDS disse apenas: "não alimento polémicas nenhumas durante esta campanha, nem por minha iniciativa, nem em resposta aquilo que têm dito candidatos e candidatas".