O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva, disse hoje que o Governo pretende cooperar com as instituições sociais, mas recusar abdicar “das suas próprias responsabilidades”.

“Há uma necessidade de permanência num trabalho de cooperação profunda entre o Estado e as instituições, obviamente respeitando o papel de cada um”, afirmou Vieira da Silva, em Fátima, concelho de Ourém e distrito de Santarém, no final de uma cerimónia em que tomaram posse os novos corpos sociais da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).


Em declarações aos jornalistas, o ministro, retomando algumas ideias do seu discurso de encerramento, enalteceu “o trabalho de cooperação entre Estado e as instituições sociais, em particular as misericórdias”.

Apesar de existir essa “boa prática”, é necessário “estar sempre a avaliar o caminho” percorrido nesta área, ressalvou.

“O Governo de que faço parte não prescindirá de trabalhar em conjunto com as instituições sociais, mas não se irá refugiar nas instituições para se demitir das suas próprias responsabilidades”, advertiu.


Citando Camões, o governante disse que “o mundo é feito de mudança, mas é feito também de estabilidade” e criticou “um erro que por vezes se comete, talvez vezes demais: a ideia de que quando há mudanças políticas tudo tem de ser posto em causa”.

Na sua opinião, em nome da estabilidade, “tem de ser mantido aquilo que está bem”, independentemente das mudanças de Governo.

“A transparência nas relações entre Estado e as instituições é absolutamente decisiva” também no trabalho social, defendeu José Vieira da Silva, considerando que no momento essa ação “deve reforçar uma orientação a favor daqueles que são mais desfavorecidos”.

Na sua intervenção, o ministro alertou para a necessidade de dar resposta aos novos problemas da sociedade portuguesa, como o desemprego de longa duração, o envelhecimento e o “isolamento das comunidades”, especialmente dos idosos e das crianças, entre outros.

A “nova vaga de emigração” dos últimos anos foi outra das questões valorizadas por Vieira da Silva, que prevê acrescidas necessidades no futuro no apoio aos pais dos jovens que têm saído do país.

A posse aos órgãos sociais da UMP para o quadriénio 2015-2019 foi conferida por Maria de Belém Roseira, na qualidade de presidente cessante da assembleia geral, cargo em que é agora substituída por José Silva Peneda.

A única lista submetida ao sufrágio dos provedores das misericórdias do continente e regiões autónomas dos Açores e da Madeira era liderada pelo presidente do secretariado nacional da UMP, Manuel de Lemos, que foi reeleito.

Na cerimónia, participaram ainda a secretária de Estado da Segurança Social, Claúdia Joaquina, e o bispo auxiliar de Lisboa, José Traquina, que interveio em representação da Conferência Episcopal Portuguesa.