O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ameaçou esta quinta-feira voltar a cortar o fornecimento de gás à Ucrânia, e consequentemente a uma parte da Europa, se Kiev não pagar até sábado a factura do mês de Fevereiro.

«Se na sequência das acções realizadas (pelos serviços de segurança ucranianos na sede da companhia ucraniana Naftogaz) esse pagamento não for feito, vamos suspender o fornecimento aos consumidores ucranianos e talvez também europeus», disse Vladimir Putin, citado pela televisão russa e pela agência Interfax.

O primeiro-ministro russo referia-se à operação realizada quarta-feira pelo serviço de segurança nacional da Ucrânia (SBU) aos escritórios da Naftogaz na sequência de denúncias sobre alegados desvios de gás russo.

A operação está a ser vista como parte da luta política entre o presidente ucraniano, Viktor Iuchtchenko, e a primeira-ministra, Iulia Timochenko, que pode afectar a capacidade de o país pagar o gás que importa da Rússia.

Putin referiu-se a essa operação como «uma fonte de grande preocupação».

A Naftogaz assegurou entretanto que vai proceder «até ao fim do dia» de hoje ao pagamento «da totalidade» da factura de gás russo.

Segundo o porta-voz da empresa, Valentin Zemlianski, a Naftogaz pagou esta semana 310 milhões de dólares à empresa de gás russa Gazprom, faltando pagar outros 50 milhões.

Um quarto do gás natural consumido na Europa é fornecido pela Rússia e quase todo (80%) esse gás canalizado através dos gasodutos que atravessam a Ucrânia.

Em Janeiro, uma disputa entre os dois países devido aos preços do gás levou a uma suspensão do fornecimento que se prolongou por duas semanas e afectou vários países europeus.