Graça Mira Gomes foi o nome escolhido por António Costa para chefiar as secretas, informou o primeiro-ministro através de comunicado. A embaixadora substitui Júlio Pereira, que liderou o Sistema de Informações da República Portuguesa, primeiro como diretor-geral adjunto dos Serviços de Informação e Segurança (SIS) (1997-2000) e depois como Secretário-Geral do SIRP (2005-2017).

Segundo a nota, a embaixadora Maria da Graça Mira Gomes "possui larga experiência em questões relacionadas com a política externa e de segurança e defesa" e é casada com o também embaixador João Mira Gomes, ex-secretário de Estado Defesa e Assuntos do Mar.

"Diplomata de carreira, Licenciada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Lisboa, com pós-graduação em Estudos Europeus da mesma Universidade. Entre março de 2011 e agosto de 2015 foi representante permanente de Portugal junto do Comité Político e de Segurança da União Europeia, em Bruxelas. Desde agosto de 2015 é Representante Permanente de Portugal junto da OSCE (Organização para a Cooperação e Segurança na Europa). Nessa qualidade, em 2016, presidiu ao Fórum para a Cooperação na Segurança e à Comissão Consultiva do Tratado «Open Skies»", pode ler-se na mesma nota.

António Costa informou Passos Coelho, principal líder da oposição, da escolha de Graça Mira Gomes para o cargo, mas o líder do PSD não se pronunciou sobre o mesmo, disse à Lusa fonte oficial social-democrata.

“Dadas as circunstâncias, o Governo não tem o respaldo do PSD”, acrescentou a mesma fonte, que explicou que esta posição se deve ao facto de o PS manter “o impasse em relação à nomeação para o Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP)".

Segundo fonte oficial do Governo, o nome da nova secretária-geral do SIRP foi já enviado para a Assembleia da República.

Esta é a segunda vez que António Costa faz uma indigitação para o cargo de secretário-geral do SIRP, tendo primeiro indicado o embaixador José Júlio Pereira Gomes para suceder a Júlio Pereira.

Em maio, o primeiro-ministro convidou o embaixador Pereira Gomes para substituir o secretário-geral do SIRP em funções, Júlio Pereira, mas logo a seguir a eurodeputada socialista Ana Gomes levantou dúvidas sobre o perfil do embaixador para este cargo.

Ana Gomes referiu-se a episódios de 1999, após o referendo que levou à independência de Timor-Leste, quando Pereira Gomes dirigiu a "Missão de Observação Portuguesa ao Processo de Consulta da ONU", acusando-o de ter abandonado o território numa altura em que se registava um crescendo de violência por parte de milícias pró-indonésias - posição que foi depois corroborada pelos jornalistas Luciano Alvarez e José Vegar.

No entanto, em junho, Pereira Gomes manifestou-se indisponível para liderar as "secretas" portuguesas, na sequência de uma polémica em torno da sua ação aquando do processo de independência de Timor-Leste, em 1999.

"Importando salvaguardar a dignidade do cargo de secretário-geral do SIRP de toda e qualquer polémica, que naturalmente se repercutiria negativamente no exercício das suas funções, resolvi comunicar a S. Exa. o primeiro-ministro a minha indisponibilidade para aceitar o cargo para que me havia convidado, agradecendo-lhe a confiança em mim depositada", lia-se na carta que, em junho passado, enviou ao primeiro-ministro.

De imediato, António Costa aceitou o pedido de renúncia por parte do embaixador e antigo secretário de Estado do segundo Governo liderado por António Guterres.