O PCP critica o Governo português por não reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, eleita no domingo, por ser “contrária aos interesses da comunidade portuguesa” e à necessidade de “estabilidade política” no país.

Um dia depois de o Governo ter seguido a opção da União Europeia, de não reconhecer a Constituinte eleita no domingo, o partido liderado por Jerónimo de Sousa afirma, em comunicado, que “a segurança da comunidade portuguesa residente na Venezuela implica a condenação das ações desestabilizadoras, terroristas e golpistas”, cita a Lusa.

Os comunistas portugueses têm apoiado o Governo do presidente Nicolas Maduro e acusam os Estados Unidos e a União Europeia de contribuir “para alimentar atos de ingerência”.

É uma atitude de respeito pela soberania da Venezuela e da sua ordem constitucional e não a contribuição para alimentar atos de ingerência que, indisfarçadamente a administração norte-americana e a própria União Europeia prosseguem”, que ajudará a “assegurar a normalização da situação”.

Logo na segunda-feira, o PCP saudou o “ato de afirmação democrática” da Venezuela nas eleições de domingo para a Assembleia Constituinte e exigiu que o Governo português tenha uma “atitude de respeito pela soberania” do país.

Ontem, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse com todas as letras que Portugal, tal como os restantes países da União Europeia, "não pode reconhecer a Assembleia Constituinte da Venezuela", que classificou de "um passo negativo".

As eleições foram marcadas por episódios de violência, mortes e alegada fraude eleitoral. A tensão política e social continua a escalar no país.

Posição "tímida e passiva"

Já o CDS-PP acusa o Governo de assumir uma posição "tímida" face à situação na Venezuela e vai propor um debate sobre este tema na comissão permanente da Assembleia da República.

Tomámos nota da posição do Governo português do não reconhecimento destas eleições", disse o deputado do CDS-PP, Telmo Correia, frisando, contudo, que nesta matéria a posição do executivo “é relativamente tímida e passiva".

Em conferência de imprensa no parlamento, Telmo Correia defendeu que a eleição da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela "não foi só um passo negativo como disse o ministro [dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva]", mas sim "um passo em frente no sentido da ditadura que se está a consolidar".

O deputado anunciou que o CDS-PP vai propor que a primeira reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República, que disse estar prevista para setembro, inclua na ordem de trabalhos um debate sobre a situação na Venezuela.

Caso a situação de "violência" naquele país "se agrave", o deputado admitiu solicitar a antecipação da reunião da Comissão Permanente ainda para o mês de agosto.

O CDS-PP questiona ainda se o Governo "está preparado" para garantir "ajuda humanitária" à comunidade portuguesa naquele país e se vai "tentar a libertação dos presos políticos portugueses ou lusodescendentes".

Governo "andou bem"

O líder da bancada parlamentar do PSD considerou entretanto que o Governo "andou bem" e tomou uma posição "firme" face à situação na Venezuela, mas apelou para que crie condições para o país poder acolher quem quiser regressar.

É bom que o Governo comece a agilizar procedimentos para acolher todos aqueles luso descendentes, portugueses, que queiram regressar ao nosso país", declarou Hugo Soares, em conferência de imprensa realizada ao início da tarde na sede do partido, em Faro.

Reiterando as saudações ao executivo pela sua posição política face à situação na Venezuela, Hugo Soares insistiu na necessidade de o Governo manter abertos "todos os canais de comunicação" com a comunidade portuguesa residente naquele país, para que, quem queira, possa regressar.

O líder da bancada parlamentar do PSD defendeu ainda que esta não deve ser uma matéria partidarizada, devendo antes "unir o país" e, questionado sobre se apoiaria a eventual aplicação de sanções à Venezuela, argumentou que não deve ser Portugal "que deve andar à frente" nessa exigência.

A União Europeia ainda não colocou em cima da mesa essa matéria e eu creio que não vai ser Portugal que deve andar à frente nessa exigência", concluiu.