As 27 propostas temáticas apresentadas ao 36.º Congresso do PSD foram todas aprovadas no sábado à noite, incluindo as que defendem a instituição de primárias no partido e a regionalização.

Das 27 propostas, 25 foram aprovadas "por larguíssima maioria", de acordo com o presidente da Mesa do Congresso, Fernando Ruas, e apenas duas tiveram uma votação mais disputada.

A proposta C, intitulada "Novos círculos eleitorais, melhor proximidade", subscrita pela Assembleia Distrital do PSD Lisboa da Área Oeste, foi aprovada com 132 votos favoráveis, 116 contra e 91 abstenções.

Esta proposta temática centra-se na reforma do sistema político e propõe que os círculos eleitorais passem a ser 28, em vez dos atuais 22, com dois dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, dois da emigração e o continente a passar para 24 círculos.

A proposta S, "Regionalizar para um Estado mais próximo dos cidadãos", da Assembleia Distrital do PSD de Faro, defende a instituição de regiões em concreto e a realização de eleições para os órgãos regionais em simultâneo com as autárquicas, tendo sido aprovada com 148 votos favoráveis, 51 contra e 69 abstenções.

Aprovadas foram também as três moções que defendem a introdução de primárias (eleições abertas a simpatizantes) no PSD, a da JSD, a da distrital de Leiria e uma que tem como primeiro subscritor Ricardo Alves.

Entre as alterações defendidas, a JSD preconiza a realização de eleições primárias para a escolha do seu candidato a primeiro-ministro e, à semelhança do líder do partido, a aposta no sistema de voto preferencial nas eleições legislativas.

"Mais e melhor PSD na afirmação de Portugal no século XXI" pede a ‘moção' dos sociais-democratas de Leiria, que apresentam "contributos para a dinamização da vida interna" do partido e defendem a realização de primárias para a escolha dos candidatos a apresentar a eleições.

A extinção da figura do militante suspenso é outra das ideias apresentadas pelo PSD de Leiria, considerando que todos devem ser militantes e contar como ativos e ninguém deve ser suspenso por questões financeiras, mas apenas para efeitos sancionatórios. Contudo, acrescentam, para terem capacidade eleitoral (elegerem e serem eleitos), os militantes devem ter as quotas pagas.

A adoção de um sistema misto nas eleições legislativas - com a eleição de 113 deputados através de círculos uninominais, 113 deputados por círculos de compensação regionais e quatro pelos círculos da emigração da Europa e Fora da Europa é outra proposta avançada por Ricardo Alves, o primeiro subscritor de uma das 27 ‘moções' temáticas em discussão este fim-de-semana.

Também aprovada foi a ‘moção' dos Autarcas Social-Democratas, que defendem que o PSD tem de voltar a encontrar nos resultados eleitorais das autarquias locais "a força para se tornar de novo o partido liderante" e pedem "rigor e critério" na seleção dos candidatos.

"Os melhores e mais qualificados devem merecer a prioridade", sublinham, notando que "uma candidatura é para ser assumida como esforço para vencer e não para um mero estatuto" e que é necessário um conhecimento profundo das comunidades a que cada candidato se apresenta porque "ninguém pode ser campeão de armas em arenas que desconhece".