O PSD anunciou esta terça-feira que vai requerer a apreciação parlamentar do decreto-lei que altera o Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), criticando "mais este aumento de impostos", assente em "subjetividade e nalguns casos arbitrariedade" de critérios.

Queremos levar este aumento de impostos a votos no parlamento. Ainda hoje o PSD entrega na Assembleia da República um requerimento para a apreciação parlamentar do decreto-lei que faz este aumento de impostos", vincou o vice-presidente do Grupo Parlamentar social-democrata António Leitão Amaro.

O dirigente do PSD falava em conferência de imprensa na sede do partido, na Lapa, em Lisboa, onde aproveitou para criticar o Governo por "mais um aumento de impostos, depois do enorme aumento de impostos dos combustíveis e outros indiretos".

Lembram-se da conversa do fim da austeridade? Pois. Aqui está mais uma prova de que o Governo carrega nos impostos sobre os portugueses”, disse o vice da bancada social-democrata no parlamento.

O PSD diz agora esperar para ver como "se pronunciam todas as esquerdas" parlamentares sobre o decreto-lei hoje publicado, querendo saber se Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP) vão "aceitar ou rejeitar este aumento de impostos".

A apreciação parlamentar é um instrumento que permite à Assembleia da República decretar o fim da vigência de um decreto-lei ou alterá-lo, salvo os que tenham sido aprovados no exercício da competência legislativa exclusiva do Governo.

Questionado sobre o anúncio do PSD de pedir a apreciação parlamentar do decreto-lei, João Galamba respondeu que é "um pouco estranho" ver os sociais-democratas a quererem decidir sobre este "alegado aumento de impostos", depois de no parlamento não terem votado a favor nem da redução da taxa máxima do IMI, nem da introdução da cláusula de salvaguarda permanente que protege as famílias de aumentos excessivos do imposto.

O IMI pode aumentar ou diminuir consoante a exposição solar ou a qualidade ambiental da habitação, segundo um diploma publicado hoje em Diário da República que aumenta a variação máxima prevista para o coeficiente de ‘localização e operacionalidade relativas’.

O decreto-lei n.º41/2016, publicado hoje, introduz uma alteração ao Código do Imposto Municipal sobre Imóveis, no coeficiente de ‘localização e operacionalidade relativas’, um dos elementos que influenciam (aumentando ou diminuindo) o coeficiente de qualidade e conforto, que é tido em conta no cálculo do valor patrimonial tributário, base à qual é aplicada a taxa de IMI.

O diploma define agora que o coeficiente de ‘localização e operacionalidade relativas’ possa ser aumentado até 20% ou diminuído até 10%, caso fatores como a exposição solar, o piso ou a qualidade ambiental sejam considerados positivos ou negativos.

Até aqui, o código do IMI previa que o coeficiente de ‘localização e operacionalidade relativas’ tivesse uma ponderação máxima de 5% - o que significava que estes elementos podiam aumentar ou diminuir o coeficiente até esse valor.

O decreto-lei entra hoje em vigor mas, como explicou à agência Lusa o fiscalista Ricardo Reis, da consultora Deloitte, este aumento (ou diminuição) do IMI só vai ocorrer quando o prédio for avaliado.

 

CDS-PP diz que nova lei do IMI é "aumento mal disfarçado" de impostos

O CDS-PP criticou esta terça-feira o que diz ser um "aumento mal disfarçado de impostos" com o decreto-lei que altera o Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), declarando que o Governo, "desde a gasolina ao sol", continua a aumentar os impostos indiretos.

Achamos que se trata de um aumento mal disfarçado de impostos, de um oportunismo político inqualificável", realçou o líder da bancada parlamentar centrista, Nuno Magalhães, em declarações à agência Lusa.

Para o CDS-PP, a entrada em vigor do decreto-lei "vem desmascarar os partidos da maioria" de esquerda e as suas posições quanto ao IMI, havendo com este Governo "o maior aumento de impostos indiretos de sempre, que vão desde a gasolina ao sol".

Esta é a nova austeridade ‘a la esquerda’ que estes partidos de forma enganosa têm tentado dizer que terminou", continuou Nuno Magalhães.