O PCP exigiu esta terça-feira ao Governo o abandono do processo de venda do Novo Banco, reiterando a necessidade de o Estado português assumir o controlo público daquela entidade bancária para menorizar os custos da operação para os contribuintes.

"Na altura, membros do Governo e governador do Banco de Portugal (BdP) insistiram na tese de que a operação em curso, de resolução do BES, não trazia custos. Hoje, cada vez está mais confirmado de que não só traz custos, como esses custos todos os dias se vão agravando", afirmou o membro da comissão política do comité central dos comunistas Jorge Pires, na sede nacional, em Lisboa.


O responsável do PCP recordou que o partido desde a primeira hora se mostrou contra as medidas de resolução do BES que foram adotadas e frisou que "a exigência de controlo público do Novo Banco tem redobrada importância", devendo o executivo da maioria PSD/CDS-PP "deixar cair o processo de venda e integrar o Novo Banco no controlo público do Estado".

A quarta fase de negociações de venda do Novo Banco iniciou-se a 19 de agosto, correspondendo à negociação individual com a Anbang, que tinha apresentado a melhor proposta na fase anterior, mas o BdP anunciou esta terça-feira o fracasso das conversações.

O BES, tal como era conhecido, acabou a 3 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

Jorge Pires sublinhou que houve uma "entrega de 3.900 milhões de euros do fundo de recapitalização da banca, que está a ser pago por todos, com desemprego, austeridade, uma taxa de juro elevadíssima" e os atuais "desenvolvimentos podem levar a custos elevadíssimos".

"Os mil milhões de euros emprestados pela banca ao fundo de resolução e, tendo em consideração a possibilidade de esse dinheiro não ser reposto pela venda do Novo Banco e que a Caixa Geral de Depósitos tem 30% do fundo de resolução, pelo menos mais 30% desses custos serão custos a assumir pelo Estado e contribuintes portugueses."


O BdP, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num 'banco bom', denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos, no BES, o 'banco mau' ('bad bank'), que ficou sem licença bancária.

Na segunda-feira, o Novo Banco divulgou que registou prejuízos de 251,9 milhões de euros no primeiro semestre mas, excluindo fatores de natureza não recorrente, o resultado foi negativo em 188,9 milhões de euros.