Um português de 42 anos acusado de ser um ladrão sofisticado, que assaltava em plena luz do dia residências de luxo e apenas roubava bens de elevado valor, foi detido pelas autoridades esta semana, disse esta quarta-feira fonte policial, escreve a Lusa.

O homem, que um oficial da polícia sul-africana descreveu à Agência Lusa como «um novo Arséne Lupin», o ladrão francês que só roubava pessoas ricas, estará ligado a uma série de assaltos e foi libertado segunda-feira por um tribunal com uma caução de 30 mil randes (cerca de 2.400 euros).

Ia às casas onde sabia que não estava ninguém

O suspeito, bem conhecido entre alguns círculos da comunidade desde os tempos em que pertenceu a um grupo de «motards» no sul de Joanesburgo, nas décadas de 1970 e 1980, entrava em condomínios de luxo ao volante de um carro de alta cilindrada, dirigindo-se directamente a residências onde sabia que não estava ninguém.

Com conhecimento prévio dos movimentos dos residentes, o suspeito entrava por arrombamento nas residências e roubava todos os bens de elevado valor, com preferência por relógios Rolex, joalharia em ouro e diamantes, pérolas e outros materiais nobres, bem como grandes quantias em dinheiro.

Na audiência preliminar, a polícia sul-africana acusou o suspeito de quatro assaltos com o mesmo «modus operandis», mas afirma estar confiante em reunir provas do seu envolvimento em pelo menos 10 crimes do mesmo tipo.

Apanhado pelas câmaras de segurança

Um jornal de grande tiragem de Joanesburgo publicou terça-feira na sua primeira página uma foto obtida pelas câmaras de segurança de um condomínio e divulgada pela polícia do suspeito ao volante do seu carro a entrar num local onde ocorreu um dos assaltos.

Hoje, as autoridades afirmam ter sido «inundadas» de telefonemas de mais famílias que foram vítimas do mesmo tipo de ocorrência, em diversas áreas da cidade.

Nos bairros de Linksfield, Morningside, Athol, Oaklands e Riverside, onde as autoridades afirmam que o português participou em assaltos do mesmo tipo, vive uma grande comunidade judaica, que terá sido o principal alvo dos roubos.

Actuou sozinho e com cúmplices

Há casos alegadamente documentados pelos investigadores em que o português actuou sozinho e outros (nos quais as mercadorias a transportar seriam mais volumosas) em que recorreu a cúmplices.

A polícia garante ter encontrado em poder do suspeito, no momento da sua detenção, uma vasta colecção de jóias identificadas pelos proprietários e grandes quantias em dinheiro em várias moedas estrangeiras.

Contactado pela Agência Lusa, o consulado-geral de Portugal em Joanesburgo afirmou desconhecer o caso e que não recebeu qualquer pedido de ajuda jurídica por parte do suspeito.