Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa decidiram esta segunda-feira em plenário pedir uma reunião urgente ao presidente da Câmara de Lisboa para saberem qual a sua posição sobre a concessão da empresa a privados.

A proposta foi aprovada por unanimidade, num plenário que reuniu mais de 300 trabalhadores e reformados do Metro e ao qual se juntaram, em solidariedade, alguns reformados da rodoviária Carris.

Os trabalhadores decidiram ainda marcar um plenário público conjunto do Metro e da Carris para 07 de fevereiro, no Largo de Camões, em Lisboa, seguido de uma ida até ao Ministério da Economia, para «perguntar ao secretário de Estado [dos Transportes] o que vai decidir sobre o futuro das empresas», que foram agregadas.

Para mostrarem «seriedade» em todo o processo de negociação com a empresa, os trabalhadores decidiram não avançar com um pré-aviso de greve para quinta-feira e esperar pela reunião do dia 29, mas alertaram que não vão «baixar os braços».

Os trabalhadores contestam a concessão da empresa e o Orçamento do Estado (OE), que impõe mais cortes aos trabalhadores.

A concessão da Carris e do Metro consta do Plano Estratégico dos Transportes (PET), apresentado pelo Governo em 2011, e deve ficar concluída este ano.

O processo tem sido criticado pelo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que reclama para o município a gestão dos transportes públicos na cidade e que já admitiu contestar judicialmente a intenção do Governo de concessionar a Carris e o Metro, avisando que pertencem ao município, que tem de ser ouvido.

No seu discurso de tomada de posse para o seu terceiro mandato à frente da Câmara de Lisboa, no final do ano passado, António Costa defendeu que os transportes públicos devem estar «ao serviço da cidade e das suas populações» e que «não são um negócio para vender a preço de ocasião» a pretexto da redução de uma dívida «que não para de aumentar».

No final do plenário, que se realizou na estação do Saldanha, cerca de 200 trabalhadores e reformados seguiram em marcha até ao Ministério do Emprego, na Praça de Londres, onde entregaram a moção aprovada, que exige a continuação «de imediato» do pagamento do complemento de reforma aos pensionistas.

Pelo caminho, os trabalhadores gritaram palavras de ordem como «Governo, ladrão, o teu lugar é na prisão»,«os complementos são um direito, sem eles nada feito», «a luta continua, Governo para a rua» e «parem de roubar quem viveu a trabalhar».

«Viemos reclamar a reposição daquilo que é o artigo 75 do OE. Hoje é o dia em que cortaram o complemento aos reformados, que recebem assim menos cerca de 60%», disse aos jornalistas a sindicalista Anabela Carvalheira.

Afirmando que se está perante uma «quebra de contrato», a sindicalista da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) explicou que aqueles trabalhadores «foram chamados para a reforma mais cedo» e aliciados com o complemento, que «hoje foi rasgado e que vai colocar pessoas no limiar da pobreza».

«O OE não pode rasgar contratos. O Tribunal Constitucional já disse que a negociação coletiva é para cumprir», frisou Anabela Carvalheira.

A sindicalista fez ainda saber que já deram entrada no Tribunal da Relação providências cautelares para travar aquela decisão do Governo.

O Metropolitano de Lisboa tem atualmente 1.396 trabalhadores reformados.