O Governo executou 40% do chamado 'Plano 100' que visa a injeção de 100 milhões de euros na economia nos primeiros 100 dias de mandato, adiantou esta quinta-feira o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson Souza.

O "Plano 100 - Acelerar o investimento empresarial" foi apresentado pelo Governo de António Costa a 18 de dezembro e o prazo apontado termina a 12 de março.

"Estamos com 40% do objetivo cumprido. Estamos plenamente convencidos que vamos ser capazes de atingir o resultado", disse Nelson Souza que falava aos jornalistas, em Famalicão, distrito de Braga, à margem de uma sessão que serviu para apresentar dados sobre os fundos comunitários Portugal 2020 a empresários das regiões do Ave e do Cávado.


Sobre a entrega de incentivos às empresas, o governante apontou que o Executivo socialista multiplicou "quase que por dez o valor dos pagamentos efetuados", isto face ao que o Governo antecessor deixou entregue.

"Passamos de quatro para 40 [milhões de euros entregues no âmbito do sistema de incentivos às empresas]", disse o secretário de Estado.

De acordo com a Lusa, Nelson Souza referiu que à partida, ou seja a 30 de novembro de 2015 quando governava o PSD/CDS-PP, estavam aprovadas 692,4 candidaturas, 332 das quais contratadas. Atualmente são 714,9 candidaturas aprovadas e 600,8 contratadas, o que faz com que a taxa de contratação suba de 47,9% para 84%.

Nelson Souza avançou também ter expectativa de que em fevereiro vai estar à disposição das empresas a linha de crédito que o Governo está a negociar com o Banco Europeu de Investimento (BEI).

Em causa está a criação de uma linha de crédito que tenha condições melhores do que aquelas que o sistema bancário oferece atualmente às empresas. O secretário de Estado explicou que estão a ser negociados os termos concretos dos juros e dos prazos.

"O montante global da linha é de 750 milhões de euros. Se tivermos sucesso na obtenção desta tranche, vamos pedir outras", disse Nelson Souza que acredita que após "o sucesso" da execução do programa '100 Dias' o Portugal 2020 "andará a todo o vapor".

"Não nos move nenhuma competição de saber quem executa mais ou não. Não nos move uma guerra de números. O que nos interessa é que haja de facto utilização de fundos para ajudar a economia portuguesa a crescer", afirmou.

Já no período de debate, o governante foi confrontado com críticas por parte de empresários que apontaram a dificuldade de algumas empresas de dimensões diferentes, nomeadamente do comércio e da restauração, "também precisarem de apoio, mas terem dificuldades no acesso a fundos".

Em resposta, Nelson Souza garantiu que o Portugal 2020 tem instrumentos vocacionados para todos, dando o exemplo dos Vales destinados à Inovação, Empreendedorismo, entre outros, e aproveitou para sugerir a análise dos Pactos de Desenvolvimento Local lançados quarta-feira e sobre os quais acredita que haverá novidades na próxima semana.

Já o presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Emídio Gomes, ao apresentar números relacionados com o Norte 2020 referiu que foram apresentadas 4.627 candidaturas, estando 1.331 em análise e 1.037 aprovadas, o que corresponde a um investimento aprovado de 140.565.735,48 euros.

Sobre as tipologias de Vales - sendo que existem quatro: Empreendedorismo, Investimento e Desenvolvimento (I&D), Inovação e Internacionalização - Emídio Gomes admitiu que os Vales Inovação tiveram de ser suspensos pelo número elevado de candidaturas, ou seja pelo excesso face à dotação financeira deste item.

O responsável pela CCDR-N contou ter recebido 100 vezes mais candidaturas aos Vales Inovação face aos dedicados a I&D e 40 a 50 vezes mais face aos Vales Internacionalização.