O ministro da Economia, Pires de Lima, disse esta terça-feira que «não há motivo para um discurso de euforia» quando a taxa de desemprego continua acima dos 15%, mas considera que Portugal vai conseguir pôr fim ao «fantasma da espiral recessiva».

Pires de Lima esteve hoje na conferência The Lisbon Summit, organizada pela revista The Economist num hotel em Cascais, em que fez um discurso sobretudo otimista sobre o rumo da economia portuguesa, em que destacou o saldo positivo da balança externa, o aumento das exportações, a atração de investimento e considerou mesmo que 2014 será o ano em que Portugal «vai pôr de lado esse fantasma da espiral recessiva».

Ainda assim, disse o governante, «a euforia é uma má conselheira e não se recomenda no momento em que os políticos devem continuar focados na realidade e na vida dos portugueses».

Para o ministro, a «preocupação» deve ser «fazer chegar os sinais positivos da economia às pessoas», destacando em especial que o «desemprego tem de descer», apesar de ter a taxa recuado para 15,3% da população ativa no último trimestre de 2013.

O ministro da Economia foi criticado por ter falado em «milagre económico», o que o próprio já considerou «um exagero de linguagem».

«Não há motivo para um discurso euforia quando 15% dos portugueses que querem trabalhar não têm emprego», afirmou hoje o governante, citado pela Lusa.

Pires de Lima afirmou ainda que «com moderação, os rendimentos dos trabalhadores devem ser alvo de progressão positiva nos próximos anos», referindo-se a algum aumento salarial.

«Depositamos esperança na comissão do IRS para que os portugueses que vivem seu trabalho, e tão penalizados foram com o aumento da carga fiscal, possam beneficiar desta melhoria da economia já em 2015», disse.

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, já tinha afirmado a semana passado no Parlamento que o Governo espera poder começar «uma moderação» do IRS ainda em 2015, sem concretizar o que essa moderação quer dizer, mas acrescentando que a margem de manobra não é grande.