O primeiro-ministro, António Costa, desvalorizou hoje as previsões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que reveem em baixa o crescimento da economia mas destacou que mesmo as estimativas "mais pessimistas" colocam o défice abaixo de 3%.

"Previsões são previsões, vamos continuar a trabalhar para que as coisas cheguem ao final do ano no ponto certo. É para isso que temos estado a trabalhar. Vejo que mesmo nestas previsões pessimistas, as mais pessimistas colocam sempre o défice abaixo dos 3%", afirmou António Costa, citado pela Lusa.

O primeiro-ministro respondia aos jornalistas à margem de uma visita ao agrupamento de escolas Cardoso Lopes, na Amadora, para assinalar o Dia Mundial da Criança, acompanhado pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Questionado se o Governo admite rever as metas para o crescimento da economia, António Costa disse que "o que o Governo não põe em questão é rever os objetivos" de trabalhar no Programa Nacional de Reformas e "trabalhar no que é essencial".

"Previsões são previsões, um dia são melhores, outros dias são piores. Nós temos é que trabalhar para que em vez de vivermos angustiados com as previsões de cada dia possamos ter confiança no futuro", disse.

Nas previsões económicas divulgadas hoje, a OCDE piorou a sua estimativa para o défice de Portugal, esperando agora que atinja os 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, quando em novembro antecipava um défice de 2,8%.

Assim, a OCDE está mais pessimista do que o Governo, que mantém como meta para este ano um défice para 2,2% do PIB, e junta-se ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que também antecipa um défice de 2,9%, e à Comissão Europeia, que estima um défice de 2,7%.

Quanto ao crescimento do PIB, a OCDE piorou a sua estimativa, esperando agora que cresça 1,2% em 2016 e 1,3% em 2017, quando em novembro antecipava avanços de 1,6% e de 1,5%, respetivamente.

Assim, a OCDE duvida que a economia portuguesa cresça ao ritmo de 1,8% previsto pelo Governo para este ano e para o próximo, de acordo com as estimativas inscritas no Programa de Estabilidade 2016-2020, remetido a Bruxelas no final de abril.

Perante a insistência dos jornalistas face a estas previsões, António Costa defendeu que o Governo não se distrai dos "trabalhos de fundo" com as notícias sobre previsões "que vão saindo dia a dia".