O ministro da Economia vê na revisão em alta do crescimento do PIB no segundo trimestre, feita pelo INE nas suas contas finais, uma aceleração, a par de outros indicadores. Ainda assim, admite que os números ainda não satisfazem o Governo.

"O que esses dados revelam é uma aceleração da economia. Os dados em cadeia mostram que o segundo trimestre já teve um crescimento melhor do que o primeiro e os indicadores que temos do terceiro trimestre são também muito positivos", disse à Lusa, em Maputo, Manuel Caldeira Cabral, à margem de uma visita de três dias a Moçambique.

O governante observou que a economia vinha de um período de estagnação, desde o início do ano passado até ao primeiro trimestre de 2016, e a revisão em alta para 0,9% na comparação homóloga e para 0,3% em comparação com o primeiro trimestre representa "um primeiro sinal de aceleração", mas ainda abaixo do desejável.

[A economia] não está ainda com o ritmo de crescimento que desejaríamos. Há outros sinais positivos [como o caso do emprego que] esteve estagnado quase um ano"

Os números do segundo trimestre indicam um aumento de quase 90 mil postos de trabalho e "demonstram que está a haver novas contratações e confiança" na economia portuguesa.

Mais lentamente do que desejaríamos, as empresas estão a voltar a investir e a retoma está eventualmente a ganhar ritmo"

Insistiu, a seguir, que os indicadores do crescimento ainda são pouco expressivos e é preciso aguardar por mais elementos.

Para Manuel Caldeira Cabral, "passar de um crescimento de 0,2% para 0,3% ainda é pouco, mas é uma evolução positiva" e coloca o país numa trajetória mais otimista do que nas previsões anteriores.

"Saliento que um crescimento de 0,2% era consistente com um crescimento a 0,9% a nível anual. Um crescimento de 0,3% já nos coloca num crescimento anual, se este crescimento em cadeia se mantiver, próximo de 1,2%", declarou, mantendo confiança de que "o próximo trimestre continue esta aceleração".

O Governo espera que o PIB cresça 1,8% este ano, uma projeção mais otimista do que a do Fundo Monetário Internacional (1,4%), da Comissão Europeia (1,5%) e do Banco de Portugal (1,3%).

Manuel Caldeira Cabral encerra hoje uma visita a Moçambique, onde na segunda-feira participou na abertura da Feira Internacional de Maputo e visitou os 31 expositores presentes no pavilhão de Portugal, o maior do principal evento empresarial do país.