Há 17 anos que Portugal não crescia tanto. O Produto Interno Bruto (PIB) português aumentou 2,7% no ano passado, adianta a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística, divulgada esta quarta-feira. É, então, o valor mais alto desde 2000, ou seja, desde o início do século.

Esta evolução resultou do aumento do contributo da procura interna, refletindo principalmente a aceleração do Investimento, uma vez que a procura externa líquida apresentou um contributo idêntico ao registado em 2016".

A estimativa rápida do crescimento hoje divulgada pelo INE  revela um desempenho económico 1,2 pontos percentuais melhor do que em 2016, ano em que a economia tinha aumentado a riqueza em 1,5%.

Está também acima da estimativa de crescimento do Governo para o ano passado (2,6%), que serviu de ponto de partida para o Orçamento do Estado para 2018. E é bem mais favorácel do que a projeção inicial do Orçamento do Estado para 2017, que apontava para uma melhoria de 1,5% no PIB.

Melhor também do que a previsão de 2,6% do Fórum para a Competitividade e em linha com as previsões da Comissão Europeia e dos economistas do ISEG.

O Governo já se congratulou com este "crescimento robusto", via comunicado enviado pelo ministério das Finanças.

A economia portuguesa cresce pelo décimo quinto trimestre consecutivo, mas agora num contexto de maior equilíbrio das contas públicas e das contas externas (...) Este crescimento económico está ligeiramente acima do previsto pelo Governo no Orçamento do Estado de 2018, corroborando a solidez dos cenários macroeconómicos subjacentes às projeções orçamentais".

Destaca, também que a expansão económica acompanha "uma evolução sólida do mercado de trabalho": "com mais 161 mil empregos e menos 121 mil desempregados do que em 2016, a taxa de desemprego caiu para os 8,1%".

Entende, igualmente, que este crescimento é "socialmente mais equitativo, assente na criação de emprego e numa gestão criteriosa das contas públicas".

A importância das exportações

As exportações continuam a dar grande impulso à economia. Cresceram 10,1% no ano passado e é preciso recuar seis anos para encontrar um crescimento a esse ritmo. Os combustíveis e os automóveis foram responsáveis por mais de 1/3 do aumento das vendas ao exterior entre as exportações de bens, mas o turismo tem um peso fundamental nas exportações de serviços.

No final de janeiro, o ministro das Finanças adiantou que as exportações portuguesas atingiram 42% do PIB no ano passado.

Centrando-nos nos dados do INE agora sobre o último trimestre do ano, o crescimento foi 2,4% nesse período (outubro a dezembro). Pode-se concluir que a economia desacelerou ligeiramente no face aos três meses anteriores, altura de uma expansão de 2,5%.  

"O contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu, em resultado do abrandamento do investimento e do consumo privado. Em sentido oposto, o contributo da procura externa líquida foi positivo (no trimestre anterior tinha sido negativo), refletindo a aceleração em volume das exportações de bens e serviços e a desaceleração das importações de bens e serviços", explica o INE.

Nos últimos três meses do ano verificou-se uma "aceleração mais intensa" das exportações de bens e serviços do que das importações.

Governo e Bruxelas concordam nas estimativas para este ano. O crescimento em Portugal deve abrandar e ficar nos 2,2%.