A economia portuguesa teve um crescimento nulo em cadeia no terceiro trimestre de 2015 e cresceu 1,4% em termos homólogos com um forte abrandamento do investimento e o consumo privado a desacelerar, enquanto a procura externa manteve um contributo negativo, anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta segunda-feira.

Numa segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB), o INE referiu que o PIB expandiu 1,4% entre Julho e Setembro de 2015, face ao período homólogo de 2014.

Em 13 de Novembro, o INE tinha divulgado que a economia tinha tido um crescimento trimestral nulo no terceiro trimestre do corrente ano e uma expansão homóloga de 1,4%.

O PIB português tinha tido um crescimento homólogo de 1,6% nos dois trimestres anteriores.

O INE adiantou que o contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu no terceiro trimestre, passando de 3,5 pontos percentuais (p.p.) no segundo trimestre para 1,9 p.p., "refletindo a desaceleração do Investimento e, em menor grau, das despesas de consumo final".

No terceiro trimestre, o investimento cresceu em termos homólogos 1,7%, contra 8,5% no segundo trimestre, enquanto o consumo privado aumentou 2,3% face aos 3,2%.

Por seu turno, as exportações aumentaram 3,9% contra 7,3%, mas as importações aumentaram 4,9% versus 12%.

A procura externa líquida registou um contributo negativo de -0,5 p.p., embora de magnitude inferior ao observado no segundo trimestre, quando foi de -2,0 p.p.

Segundo o comunicado, o INE afirmou ainda que se verificou um ganho de termos de troca superior ao do trimestre anterior, com o deflator das importações a registar uma redução significativa, sobretudo em resultado da diminuição dos preços dos bens energéticos.

Em termos nominais, o Saldo Externo de Bens e Serviços aumentou no terceiro trimestre, passando de 0,1% do PIB no segundo trimestre para 1,3%.

O Banco de Portugal (BP) estima que a economia portuguesa cresça 1,7% em 2015 e o anterior Governo de centro-direita apontava para os 1,6%, uma revitalização face aos 0,9% de 2014, quando o país sustentou uma retoma após ter tido a pior recessão em 30 anos devido ao austero resgate externo.

O Executivo socialista, que tomou posse na semana passada, quer "romper" com a austeridade e dar um impulso ao consumo privado para acelerar o crescimento, que permitirá consolidar a as Finanças Públicas e descer o défice para 2,8% do PIB em 2016 versus 3% estimados para 2015.

No programa de Governo, os socialistas prometem não cortar pensões e querem repor os salários públicos cortados em 2011 à taxa de 25% em cada trimestre de 2016, reduzir a sobretaxa de 3,5% do IRS pago pelos trabalhadores para 1,75% em 2016 e acabar com ela em 2017, baixar o IVA da restauração em 10 pontos para 13%.

O Governo socialista prevê um apoio complementar ao aumento do rendimento disponível das famílias, com uma redução progressiva e temporária da taxa contributiva (TSU) dos trabalhadores com um salário base inferior a 600 euros mensais.

O INE divulgou ainda esta manhã que a taxa de desemprego ficou inalterada nos 12,4% em outubro, face a setembro.