A economia está a crescer acima de 2% em 2018, mas menos que em qualquer dos trimestres de 2017.  A boa notícia é que os portugueses até consumiram um pouco mais entre abril e junho. Já o investimento ficou mais tímido, mas porque se parte da comparação com o segundo trimestre de 2017, cujo o crescimento, em algumas vertentes, como a do transporte, foi siginficativo.

O Produto Interno Bruto (PIB), em termos homólogos, aumentou 2,3% em volume no segundo trimestre de 2018 (2,1% no trimestre anterior).

A procura interna registou um contributo mais positivo, em resultado da aceleração do consumo privado, enquanto o Investimento apresentou um crescimento menos acentuado, determinado em larga medida pela diminuição da Formação Bruta de Capital Fixo em Material Transporte, refletindo o efeito base da forte aceleração verificada no segundo trimestre de 2017", diz o Instituto Nacional de Estatística  (INE).

De fato e se olharmos para os dados do INE de junho de 2017, a síntese de conjuntura refere que "o indicador referente ao investimento em material de transporte acelerou em abril e maio, após a desaceleração verificada em março. É de salientar que esta evolução beneficiou do forte crescimento, nos meses de abril e maio, das importações de outro material de transporte, devido fundamentalmente à importação de aeronaves, e do expressivo aumento homólogo das vendas de veículos ligeiros de passageiros para empresas de rent-a-car."

Voltando à estimativa rápida do PIB para o segundo trimestre de 2018, divulgada esta terça-feira "A procura externa líquida apresentou um contributo negativo idêntico ao observado no trimestre anterior", acrescenta o INE

Comparativamente com o primeiro trimestre de 2018, o PIB aumentou 0,5% em termos reais (0,4% no trimestre anterior).

O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB foi ligeiramente menos negativo, refletindo a aceleração das Exportações de Bens e Serviços superior à das Importações de Bens e Serviços. Por sua vez, o contributo positivo da procura interna manteve-se inalterado no segundo trimestre.

A previsão do Governo aponta para que a economia cresça 2,3% para o conjunto de 2018.

Gabinete de Centeno justifica com "gestão orçamental responsável, a melhor garantia de resiliência"

Para o Governo o crescimento económico português no segundo trimestre do ano "ocorre num contexto de equilíbrio das contas externas e de gestão orçamental responsável", que são o "melhor garante" de resiliência face a eventuais problemas, defendeu o Ministério das Finanças.

Num comunicado salientou que, com estes dados, "se prossegue a tendência de convergência" com a União Europeia.

O padrão de crescimento face ao período homólogo continuou marcado por uma forte dinâmica de criação de emprego (aumento de 2,4%, com 114 mil novos empregos) e de redução do desemprego (redução de 2,1 pontos percentuais, menos 110 mil desempregados). Realça-se também os contributos importantes do investimento e das exportações (10,5%)", destacou o ministério tutelado por Mário Centeno.

Para o Ministério das Finanças, "este crescimento ocorre num contexto de equilíbrio das contas externas e de gestão orçamental responsável. Esta mudança estrutural, apoiada por condições de financiamento mais estáveis, é o melhor garante de resiliência face a eventuais flutuações externas bem como da provisão sustentável de serviços públicos, não apenas no presente, mas também no futuro".