Os presidentes das construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez foram acusados formalmente pelo Ministério Público Federal do Brasil, por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, divulgou esta sexta-feira a Procuradoria, em conferência de imprensa.

Ao todo, 22 pessoas foram acusadas formalmente pela Procuradoria brasileira, entre elas supostos operadores dos pagamentos, ex-diretores e funcionários da Petrobras, antigos políticos, executivos das construtoras e os presidentes Marcelo Odebrecht, da empresa com o mesmo nome, e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez.

A Odebrecht é a maior construtora brasileira e lidera projetos de infraestruturas também em Portugal, Angola, Moçambique e Guiné Equatorial.

A Andrade Gutierrez dirige igualmente obras em países lusófonos e está entre os principais acionistas da operadora de telecomunicações Oi, que anunciou um processo de fusão com a Portugal Telecom em 2013.

O procurador da República Deltan Dallagnol afirmou, em conferência de imprensa, que as construtoras combinavam resultados de adjudicações e pagavam subornos sobre contratos, além de participarem num esquema de branqueamento de capitais, usando empresas subsidiárias, "offshores" e contas secretas no exterior.

A Procuradoria informou que a Andrade Gutierrez movimentou, em atos de corrupção, 243 milhões de reais (66 milhões de euros) e a Odebrecht, 389 milhões de reais (105,6 milhões de euros).

Dallagnol realçou que a Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014, resultou até agora na acusação criminal de 125 pessoas, entre elas 35 empresários ou executivos de empresas, 16 suspeitos de serem operadores dos pagamentos, 39 pessoas ligadas aos operadores, oito executivos da Petrobras, ou ligados à petrolífera, 11 funcionários públicos, quatro ex-políticos e dez pessoas vinculadas aos ex-políticos mencionados.

O valor já restituído aos cofres públicos brasileiros é de 870 milhões de reais (236 milhões de euros), entre eles 385 milhões de reais (104,5 milhões de euros), que se encontravam dispersos por contas bancárias no exterior.
 

Mais de 50 pedidos de cooperação internacional


O procurador da República do Brasil Deltan Dallagnol, coordenador da investigação sobre corrupção na Petrobras, afirmou esta sexta-feira que os pedidos de cooperação judiciária internacional, inclusive com Portugal, foram feitos para rastrear possíveis contas bancárias de acusados.

"Foram feitos mais de 50 pedidos de cooperação internacional, e estamos a alcançar diversas contas [bancárias]. Se já foram descobertos pagamentos no exterior, é possível que sejam descobertos outros", afirmou, em conferência de imprensa, em Curitiba, no sul do Brasil.


O procurador realçou a cooperação obtida com a Suíça, que possibilitou seguir pagamentos feitos por subsidiárias da construtora Odebrecht em contas secretas na Europa. Segundo o jornal "Folha de São Paulo", o valor depositado supera os 59 milhões de reais (16 milhões de euros).

Ao ser questionado sobre mais pormenores relacionados com a cooperação judiciária com Portugal e as investigações que envolvem operações feitas no país, Dallagnol afirmou que não havia nada a acrescentar.

No passado dia 20, a Procuradoria-Geral da República (PGR) portuguesa esclareceu ter recebido um pedido de cooperação judiciária internacional, das autoridades brasileiras, no âmbito da chamada operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção e pagamento de subornos na Petrobras, envolvendo as construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez, que possuem negócios em Portugal.

"Confirma-se a receção de pedido de cooperação judiciária internacional, através de carta rogatória. O teor do pedido formulado pelas autoridades brasileiras é de natureza reservada. O Ministério Público português não deixará de investigar todos os factos com relevância criminal que cheguem ao seu conhecimento", referiu a PGR a propósito do pedido de auxílio das autoridades brasileiras.