O Plano de Emergência para a recuperação de três espécies de Aves Rupícolas (PEAR) no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) está a entrar na recta final, com a concretização das 16 medidas projectadas até ao Verão, segundo a agência Lusa.

Com duração de dois anos, o plano foi projectado por técnicos do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e outros ligados à conservação das aves rupículas, como a Águia de Boneli, o Britango (Abutre do Egipto) ou a Cegonha Preta - as três espécies protegidas neste plano de emergência -, disse o biólogo do PNDI António Monteiro.

«Feitos os contactos pelo ICNB com a EDP, enquadrou-se um projecto - no âmbito da iniciativa Business and Biodiversity da última presidência portuguesa da União Europeia -, para ser desenvolvido por organizações não governamentais (ONG's) locais», recordou.

«As acções são apenas de emergência, portanto artificiais e não sustentáveis, pelo que seria importante dar-lhes continuidade financeira, agora que as infra-estruturas já foram construídas e os técnicos já tiveram formação nesta área», disse o técnico.

A execução das acções previstas no PEAR são da responsabilidade de seis associações regionais e entre as actividades destacam-se a recriação do tradicional mosaico agrícola - para alimentar presas como o coelho, a perdiz e os columbiformes -, repovoação de novas charcas com peixes autóctones, construção de cercados de reprodução de coelho-bravo e pombais tradicionais para albergar «pombos da rocha», presas essenciais às três espécies em risco.

No Douro Internacional, área considerada como o principal santuário nacional de aves rupícolas (ou aves das escarpas), a Águia de Bonelli está na situação mais problemática, com uma regressão de 40 por cento da população nos últimos 15 anos.

O projecto PEAR

O projecto PEAR está dotado com um financiamento de cerca de 360 mil euros, assegurados pela EDP, que a partir de Abril vai proceder a uma das acções - com intervenções na rede eléctrica de média tensão - para reduzir o risco de electrocussão e colisão das aves.

Alice Gama, bióloga da Associação Transumância e Natureza (ATN) - uma das seis envolvidas no projecto -, manifesta-se convicta que «dois anos não chegam, e a forma como os grupos locais, que intervêm no terreno, consideram estas espécies, tem de ser gerida a longo prazo e com o trabalho das associações locais».

Num dos terrenos da ATN, com cerca de um hectare, junto ao novo cercado para coelhos-bravos, está um pombal, adquirido e recuperado pela ATN em 2003. Aqui, 200 casais de pombos são alimentados quinzenalmente, num protocolo que estabeleceram com o PNDI, contrariando o abandono histórico dos pombais e dos seus inquilinos.