O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, teceu hoje fortes críticas ao PS, um dia depois da apresentação dos cálculos finais do programa eleitoral socialista, que apontavam uma estimativa de criação de até 207 mil empregos ao longo da legislatura.

“O PS parece ter voltado à ideia de que são os Governos que criam os empregos e que são os cartazes que prometem empregos, e os portugueses sabem muito bem o que aconteceu há uns anos atrás quando alguém prometeu 150 mil postos de trabalho que depois não existiram”, afirmou Paulo Portas numa alusão às promessas feitas pelo ex-primeiro-ministro, José Sócrates.


O membro do Governo referiu que “são as empresas que criam empregos e, portanto, a questão está em saber se as políticas propostas pela coligação e pelo PS são mais favoráveis à confiança, ao investimento e à criação de emprego”.

As declarações do vice-primeiro-ministro foram proferidas esta tarde, em Lisboa, numa conferência de imprensa destinada a apresentar as conclusões de uma reunião com os organizadores da conferência mundial de tecnologias de informação WebSummit, no âmbito da candidatura de Portugal para acolher o evento nos próximos anos.

No entanto, a este evento, Paulo Portas dedicou pouco mais de vinte segundos, tendo a conferência de imprensa sido dominada pelos ataques aos socialistas e à revisão do seu cenário macroeconómico.

“O nosso cenário macroeconómico foi entregue em Bruxelas e é firme e é seguro. O PS em três meses já apresentou três revisões do seu cenário macroeconómico. Eu acho que isso não é a melhor forma de gerar confiança nem segurança nas pessoas, mas a cada qual, naturalmente, a sua atitude”, disse Paulo Portas.


Os números de uns e outros


No programa entregue pelo Governo em Bruxelas, prevê-se que o défice orçamental deverá atingir 2,7% do PIB, em 2015, 1,8% em 2016, 1,1% em 2017, 0,6% em 2018 e um excedente de 0,2% do PIB em 2019. Em termos de dívida pública, as previsões do Governo, no mesmo documento, apontam para um valor de 124,2%, 121,5%, 116,6%, 112,1% e 107,6% entre 2015 e 2019.

Já as previsões apresentadas pelo PS na quarta-feira, relativas ao défice orçamental, apontam para um valor de 3,2% este ano, de 3% em 2016, 2,7% em 2017, 2,1% em 2018 e 1,4% em 2019. Em matéria de dívida pública, o PS espera vir a alcançar 130,2%, 128,7%, 125,1%, 121,5% e 117,9% respetivamente entre 2015 e 2019.



Já as últimas previsões da Comissão Europeia para Portugal apontam para um valor do défice orçamental de 3,1% para 2015 e de 2,8% para 2016. Em matéria de dívida pública, as previsões de Bruxelas apontam para um valor de 124,4% em 2015 e 123% para 2016.

Um dia depois da apresentação dos cálculos finais do programa eleitoral, o secretário-geral do PS disse hoje em Viana do Castelo que não promete criar 207 mil postos de trabalho, mas compromete-se a colocar em prática medidas que têm como prioridade a criação de emprego.

Paulo Portas aproveitou ainda a presença dos jornalistas para comentar alguns indicadores económicos divulgados na quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que considerou positivos, uma vez que os dados apontam para uma recuperação do clima económico em Portugal, um aumento do nível de confiança dos portugueses e uma melhoria nas exportações.

Os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP) no seu boletim estatístico também marcaram a intervenção do membro do Governo, que enalteceu o facto de a dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, ter recuado no segundo trimestre deste ano para os 128,6% do Produto Interno Bruto (PIB).