Um implante cerebral de inspiração «Avatar» poderá ajudar a restaurar os movimentos em pacientes com paralisia. O cenário de ficção científica do filme de James Cameron, em que um homem que ficou paralisado na sequência de um traumatismo recupera as capacidades físicas perdidas através de um outro ser, foi agora conseguido pela primeira vez em laboratório com macacos Rhesus.

De acordo com o «Daily Mail», a experiência foi realizada por investigadores do Centro de Reparação do Sistema Nervoso da Escola de Medicina da Universidade de Harvard, em Boston, nos EUA. Os resultados foram publicados na revista «Nature Communications».

Utilizando a tecnologia de controlo da mente, ficcionada em 2009 no filme «Avatar», os cientistas ligaram ao cérebro de um macaco Rhesus a espinal medula de um outro que foi colocado num estado de paralisia artificial. O macaco consciente foi então capaz de controlar os movimentos do segundo primata usando apenas os próprios pensamentos. Isto apesar de estar completamente desligado do músculo do braço que ele procurou controlar.

«Nós demonstrámos que um sujeito pode controlar um membro paralisado puramente com os seus pensamentos», diz ao «Dialy Mail» Maryam Shanechi, da Escola de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade de Cornell. A co-autora do estudo acrescenta que a descoberta «poderia ter o potencial de ajudar pacientes paralisados a recuperar o controlo dos próprios membros».

Todo o trabalho de laboratório consistiu em apresentar ao primeiro macaco (designado «mestre» pelos cientistas) dois alvos circulares num ecrã de computador para daí extrair, com base na atividade de um pequeno número de neurónios pré-motores do córtex cerebral desse macaco, a informação que permitia prever, através de um «software» e em tempo real, qual era o alvo que esse macaco mais provavelmente tencionava atingir com o cursor. Essa previsão era então transmitida a um segundo macaco, designado «avatar», que tinha sido previamente paralisado através de drogas, e cujo braço, conforme a escolha prevista do «mestre», apontava então para um dos dois alvos.

De cada vez que o macaco «mestre» conseguia comandar o braço do macaco «avatar» para o alvo que ele próprio tinha escolhido, era devidamente recompensado com um pouco de sumo de fruta administrado através de um tubinho colocado à sua frente.

Através desta experiência, os cientistas mostraram que conseguem extrair do cérebro de um primata as subtilezas de um «gesto intencional», desemaranhar essa informação e transmiti-la à espinal medula de um outro primata, «injetando» essa informação no sistema de maneira que esse segundo primata execute um movimento conforme a vontade do primeiro.