Mais de 65 por cento dos trabalhadores da Lisnave aderiram à greve de 24 horas que decorre durante todo o dia desta quinta-feira nos estaleiros navais da Mitrena em Setúbal, disse à Lusa Filipe Rua, da Comissão de Trabalhadores.

«Esta paralisação deve-se à apresentação de uma proposta da administração de aumentos salariais de 2,5 por cento, que consideramos manifestamente abaixo das possibilidades da empresa», disse o representante dos 302 trabalhadores da Lisnave.

«Tendo em consideração os resultados da empresa, que foram superiores a 10 milhões de euros em 2008, consideramos que a nossa proposta, de aumentos salariais de 6 por cento, ou 50 euros para cada trabalhador, é justa e que deve merecer a atenção dos responsáveis da empresa».

Segundo a Comissão de Trabalhadores, a greve na Lisnave resultou na paralisação das linhas de produção de serralharia, mecânica, caldeiraria de tubos, caldeiraria ligeira, não obstante grande parte do trabalho desenvolvido nos estaleiros navais ser assegurado por empresas exteriores.

De acordo com uma estimativa da própria Comissão de Trabalhadores, apesar da greve decretada esta quinta-feira, entraram nos estaleiros da Mitrena «cerca de 1.600 trabalhadores».

Filipe Rua garantiu ainda que, se for necessário, os trabalhadores da Lisnave estão dispostos a endurecer as formas de luta já na próxima semana, mas mostrou-se convicto de que a «administração vai reconhecer a justeza das reivindicações» e aproximar-se da proposta que aponta para aumentos salariais de 6 por cento em 2009.

A Agência Lusa tentou ouvir o responsável pelas Relações Públicas da Lisnave mas não foi possível em tempo oportuno.