Fernando Medina defendeu, esta terça-feira, que a interrupção do processo de venda do Novo Banco representa uma farsa e uma tragédia para a imagem das instituições públicas portuguesas. No espaço de opinião semanal, "Cara, conta, caso", na TVI24, o comentador da TVI avisou que o adiamento vai prejudicar ainda mais os contribuintes.
 

“Este caso cada vez mais se parece com uma farsa e, em breve, iremos conhecer a tragédia que vai representar quer para os contribuintes portugueses, mas fundamentalmente para a imagem das instituições portuguesas”, alertou.

 
Numa altura em que há muitas dúvidas e incertezas sobre a venda ou não do Novo Banco, Fernando Medina avança que já é possível ter algumas certezas. Em primeiro lugar, já não vai haver venda do Novo Banco antes das eleições legislativas. Um segundo aspeto é que não há nenhum concorrente disposto a pagar aquilo que o Banco de Portugal pediu (3,9 mil milhões), nem a arcar com as responsabilidades das contingências que resultam do Goldman Sachs ou, por exemplo, dos lesados do BES.
 
“Ora, isto significa que as perdas que os contribuintes terão, de forma direta através da Caixa Geral de Depósitos, de forma indireta através dos impostos que os bancos portugueses não pagarão, e também os riscos que isso trará para a situação da estabilidade do setor financeiro (…) fazem desta história uma história muito diferente daquele conto de fadas que nos tentaram vender”, argumentou.
 
 

Falta de acordo sobre refugiados "deixa Europa numa situação trágica"

 
No espaço de opinião semanal, Fernando Medina destacou o papel de António Guterres enquanto Alto-comissário da ONU para os refugiados. O comentador da TVI lamentou, no entanto, que o esforço de Guterres não tenha dado frutos até agora. Fernando Medina considerou que a falta de acordo sobre o acolhimento dos refugiados deixa a União Europeia numa situação trágica.
 
“António Guterres, durante esta semana, desenvolveu uma intensa atividade junto da União Europeia, no Conselho de Ministros dos ministros da Justiça e da Administração Interna, também hoje no Parlamento Europeu, na tentativa, num esforço de encontrar um caminho com a Europa para a crise dos refugiados e não conseguiu”, lamentou.
 
“Isto põe a Europa numa situação trágica perante a responsabilidade que tem de centenas de milhar de pessoas que estão às suas portas e dentro da Europa numa situação humanitária extremamente frágil, mas também perante a sua história e perante as suas responsabilidades humanitárias e cívicas”, acrescentou.
 
Fernando Medina realçou que António Guterres lembrou, no Parlamento Europeu, algo da maior importância. Em 1956, ainda a União Europeia estava a dar os primeiros passos, a Europa foi capaz de solucionar a crise dos refugiados húngaros, resolvendo em cerca de três meses a colocação e o acolhimento de 180 mil refugiados que fugiram da Hungria.
 
“Ora, é precisamente hoje essa mesma Hungria que é a linha da frente do combate, que levanta o muro, que ergue a resistência face ao acolhimento dos refugiados e em que, no fundo, uma direita populista tenta deixar lastro por essa Europa”, afirmou.