
Constança Cunha e Sá considera que a revisão em baixa dos números do défice e a previsão de mais austeridade poderá fazer aumentar ainda mais a contestação ao Governo, mas também ao Presidente da República. Para a comentadora, Cavaco Silva não está a conseguir afirmar-se como um «garante de estabilidade», como foram os seus antecessores.
«Vemos o Presidente ser vaiado, não por iniciativas do próprio presidente, mas por ações do Governo», disse, frisando: «Cavaco Silva não consegue pairar por cima do Governo». «Aquilo que podia ser um garante de estabilidade está também mortalmente atingido», acrescentou.
Para Constança Cunha e Sá os portugueses «não aguentam» mais austeridade e estão a atingir o limite de capacidade de aceitar os sacrifícios que lhe são pedidos por não verem resultados.
«O grande problema aqui, com mais austeridade ou com mais austeridade vinda de Bruxelas, é a sensação que começa a pesar, de que este tempo foi um tempo perdido, que todos os sacrifícios que foram impostos aos portugueses durante todo este ano, desde os impostos, aos cortes nos salários, aos cortes no 13ª mês, no 14º, etc, tudo isto foi um vão», afirmou.
«Tudo isto agravou a recessão, baixou as receitas fiscais, aumentou o desemprego e, no fundo, levou a mais recessão, e, levando a mais recessão, isso reflete-se no défice», apontou ainda Constança Cunha e Sá.
O perigo à vista, para a comentadora, é começar-se a perceber que Portugal está a seguir o caminho da Grécia, entrando «num ciclo vicioso do qual não tem saída».