Não é só por fazermos o jornalismo que mais vidas toca diariamente neste país - embora isso já seja muito.

Não é só por mantermos esse país informado - embora tal seja decisivo para criar uma sociedade mais interventiva e exigente.

Não é só pela vigilância a outras formas de poder - embora para o funcionamento da Democracia seja fundamental o escrutínio daqueles que só podem estar comprometidos com a transparência e o dever da prestação de contas.

O bom jornalismo poderia então resumir-se a isto: informar para ser relevante, ganhar relevância para assim conquistar influência, influenciar para promover padrões de maior exigência a nível social, político e económico.

Mas pode e deve ser mais. Um projeto editorial com esta história, com esta escala, com este peso na nossa sociedade, tem a obrigação de se tornar, ele próprio, um protagonista da mudança, um dínamo da transformação de comportamentos coletivos. Isso pressupõe dar o exemplo, ser uma referência. E ser também agente de inovação.

Aos 22 anos de vida, a TVI não seria o que é sem a Informação que tem. O jornalismo desta estação moldou-lhe a personalidade, em épocas diferentes, de maior ou menor irreverência, e foi amadurecendo com a idade. Lidera as audiências, há 37 meses consecutivos - e quem fica em primeiro durante todo este tempo, de forma ininterrupta, não o consegue por um mero acaso.

A credibilidade do trabalho desta redação, que a direção de José Alberto Carvalho reforçou e consolidou, é a maior das razões que leva a maioria dos portugueses a deixar-nos entrar todos os dias nas suas vidas, nas suas próprias casas. É uma enorme responsabilidade. Mas a ética da denúncia também não fica completa sem a responsabilização.

O jornalista não é padre ou juiz para absolver ou condenar quem quer que seja. Mas também não é indiferente, não é distante. Nem pode ser. Há evidentemente causas no jornalismo e é errado pensar que é possível fazer informação sem alma. Tal como é um equívoco tremendo confundir jornalismo de causas com jornalismo que toma partido por uma das partes.

É neste equilíbrio, nada estável, que não se obtém por fórmulas matemáticas, entre a intervenção e a independência, entre as escolhas subjetivas e a imparcialidade, que um exército de profissionais labora sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia, com reações ao minuto - porque a informação da TVI há muito que deixou de ser dois telejornais num canal generalista.

A TVI24, na televisão por cabo e nas plataformas digitais, está a dar-nos outro pulsar e a abrir novas formas de comunicação com as pessoas. E até de relacionamento. Porque os hábitos de consumo de notícias também estão em profunda mudança, porque se esbate a fronteira entre sujeito e objeto da informação, cabe aos líderes antecipar as alterações e, sempre que possível, até desencadear novos processos transformadores.

Não é pretencioso reivindicar para a TVI um papel central na construção de uma sociedade que todos querem mais justa, mais próspera e aberta ao contágio da criatividade humana. Basta lembrar o que a televisão representou em vários saltos civilizacionais, basta transformar a nossa liderança nacional num compromisso de cidadania, basta estar à altura dos parabéns pelos próximos e desafiantes vinte e dois anos que aí vêm.