"Estou convencido que Santana Lopes não vai desistir, mas veremos." É desta forma que José Miguel Júdice, comentador da TVI24, considera que a candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança do PSD pode estar iminente. E dá ainda mais provas: o contacto do provedor da Santa Casa da Misericórdia com o ministro do Governo socialista.

Santana Lopes começou muito mal. Não é dramático, mas eu acredito nos jornais, ao contrário do que foi dito, e não foi desmentido: ele contactou o ministro do Governo socialista a perguntar se ele podia suspender o seu mandato na Santa Casa da Misericórdia. Alguém que quer ser o líder da oposição vai ter com o Governo e diz “oh senhor Governo, não te importas que eu vá ali e depois se correr mal, volto? Vou ali e já volto.” Não é maneira de se apresentar como líder da oposição. Mas não me surpreende se ele se candidata. (...)".

O comentador da TVI24 explica ainda que "porque é que um sexagenário como o Santana Lopes se candidata" à liderança do partido e que, apesar de ainda poder desistir, esta é também a sua "última oportunidade".

"Eu acho que por três razões. Em primeiro lugar pelo vício da política, é o lado melhor. Depois para refazer a sua má imagem de 2004, como o Isaltino. O Isaltino foi-se candidatar agora para refazer a sua má imagem. E porque cheira, tem um instinto político, que estamos em tempos de populismo e não há outro populismo na direita. Há um aprendiz de feiticeiro, o André Ventura, havia um populista que se reformou, Alberto João Jardim, e havia outro populista que se suicidou politicamente, Marinho Pinto. É evidente que Santana Lopes pode desistir ainda, mas se desistir vai acabar os seus dias na Santa Casa da Misericórdia que é aliás um nome ótimo para ganhar o céu. Ele tem também a última oportunidade. Estou convencido que Santana Lopes não vai desistir, mas veremos. Se há coisa que o Santana Lopes sabe gerir é a imprevisibilidade. É a levar as pessoas a acharem que sim e depois vai-se embora".

Mas, para José Miguel Júdice, o Rui Rio, que "se fugia mais uma vez estava feito", também "é um caso muito curioso".

"Porque é que ele se candidata? Porque já não tem outra alternativa. Não dá para dizer que não, é tão simples como isso. Ambos querem, portanto, tentar a sua sorte. E é curioso como é a política. Santana Lopes vive no bloco central, podia ter recusado, podia ter dito “eu sou contra o Governo, não aceito continuar na Santa Casa”, mas o seu instinto é de direita social populista. Rui Rio, pelo contrário, viveu sempre politicamente em bipolarização, mas sonha “nas suas noites mais loucas” com o bloco central. Mas o que ele verdadeiramente é é um autoritário social, isto é, um homem sério, em matéria de dinheiros, é um homem austeros nos seus comportamentos, muito autoritário, não gosta de jornalistas".

Apesar das duas hipóteses para a liderança do PSD, o comentador da TVI24 considera que "não é assim que se refunda o PSD".

"O PSD devia passar de geração, o PSD devia passar uma nova geração", reitera.

Santana Lopes almoçou, esta segunda-feira, com o Presidente da República para um encontro sobre "o papel da Misericórdia no sistema económico e financeiro português", confirmou a TVI. Em declarações aos jornalistas, no final de uma cerimónia na Academia das Ciências de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que o encontro com o antigo primeiro-ministro estava previsto "há cerca de um mês" e que não viu razão para o cancelar.

Questionado se falou com Santana Lopes sobre o PSD, tendo em conta que este é apontado como possível candidato à liderança do partido, o chefe de Estado respondeu: "O objetivo era, obviamente, falar de um tema que tem a ver com o cargo que desempenha, só isso".

O atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem sido falado como provável candidato à liderança do PSD, mas ainda não esclareceu publicamente a sua decisão. Se avançar, Santana terá como adversário Rui Rio, que vai apresentar oficialmente a sua candidatura na quarta-feira.