Habituámo-nos a congressos do PSD exaltantes, de cortar a respiração, com os jornalistas a saltar para o palco de microfone na mão, engalfinhando-se uns nos outros à procura do melhor soundbyte. Foram tempos memoráveis. O pós-cavaquismo fez com que o PSD  se reerguesse em lutas de guerreiros e em arenas para onde se dirigiam todos os olhares. Os barões e os sábios íam à luta, ora pela liderança, ora pelo melhor discurso. A cada frase, os congressistas levantavam-se com as palavras de ordem que mobilizavam os dirigentes, os delegados e os militantes. As palmas eram incontáveis. Eram congressos vibrantes, amplificados pela televisão e pelo poder da imagem. A televisão introduziu alterações profundas no discurso político e os profissionais da política aprenderam a falar para a televisão, antecipando a frase que os iria colocar no prime-time televisivo. Existiam lágrimas, sulistas, elitistas e liberais, conspirações nos corredores, formavam-se listas madrugada dentro.

Não são mais assim os congressos do PSD. A política perdeu aresta e os espectadores estão mais interessados nos tiroteios da Cova da Moura ou da Ameixoeira ou dos despiques entre o renovado Sporting e o resistente Benfica.

Não sendo congressos eletivos, por maioria de razão, o desinteresse é maior. O congresso de Espinho é emblemático: Passos Coelho é líder e líder vai continuar a ser. Não se antecipa nenhum assalto ao poder nos próximos dois anos. É tempo de sarar as feridas de eleições gerais que afastaram da governação o partido mais votado, mas que esbarrou com uma maioria de esquerda que se mantém firme à volta dos socialistas. Vencer as eleições legislativas e não chegar a S. Bento fez sangrar o PSD.

Em Espinho, a narrativa tem dois eixos: como fazer oposição e como encontrar uma estratégia autárquica que permita ao partido em 2017 testar com sucesso a sua força junto dos eleitores, os fiéis e os perdidos.

Nenhum destes desafios é fácil se a esquerda se mantiver sólida, se a economia e Bruxelas não colocarem muitas pedras pelo caminho e se os portugueses perceberem realmente que o que prevalece é o social.

Belém não entra nas contas. Marcelo Rebelo de Sousa está e vai continuar a fazer o seu caminho, com muito mimo para distribuir e sem ter dívidas para saldar com quem quer que se seja.

Em Espinho, alguns –poucos- barões trocam uns recados e desafiam-se uns aos outros. Outros nem sequer se deram ao trabalho de percorrer 300 kilómetros. Rui Rio, Nuno Morais Sarmento são alguns que acompanham à distância. Manuela Ferreira Leite nem sequer ponderou. Como disse na TVI, “ Espinho fica muito longe “.