Marcelo Rebelo de Sousa disse, este domingo, que o candidato socialista às eleições presidenciais será António Vitorino, um nome que, de acordo com o comentador da TVI, vai conseguir «piscar um olho ao centro e ser aceite pela esquerda».

No comentário no «Jornal das 8» da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa analisou as evoluções da semana no que toca às presidenciais. Em concreto, o facto de Pedro Santana Lopes ter adiado para outubro um «sim» ou um «não» definitivo e também a recusa de António Guterres em ser candidato que ganhou foros de certeza.

Mantendo-se fiel ao calendário que estabeleceu, Marcelo Rebelo de Sousa disse que só se pronunciará definitivamente sobre o assunto depois das próximas eleições legislativas. O também conselheiro de Estado sublinhou que, para já, «não há decisão nenhuma», quanto a ser candidato ou não.

Depois de dizer que Santana Lopes, ao recuar, «compreendeu» o que ele próprio há muito vinha dizendo, Marcelo Rebelo de Sousa deu como certo que António Vitorino será o próximo nas escolhas do PS. Para o antigo líder do PSD, António Vitorino é uma pessoa de quem gosta «muito», até porque foi seu orientador académico em Direito.

Seja como for, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, «a direita vai ter um caminho difícil para percorrer», tanto nas presidenciais como nas legislativas, já que «as sondagens dizem que a esquerda tem dois terços» do eleitorado. Assim, defendeu Marcelo, «não existe» para si «nenhuma autoestrada», numa referência a palavras de Luís Marques Mendes.

No mesmo comentário, e num tema relacionado com José Sócrates, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a dependência económica do ex-primeiro-ministro face ao empresário Carlos Santos Silva é «politica e moralmente censurável».
 

«Jamais devia um político aceitar, mesmo de um amigo pessoal, que preside a um grupo, dinheiro emprestado, sendo certo que esse grupo ganhou vários concursos, várias adjudicações, no período em que José Sócrates governou», afirmou.

 
Mas Marcelo Rebelo de Sousa salientou que não se deve partir do juízo moral e político «para presumir que é uma atividade criminosa». Para haver corrupção, a justiça terá de provar que o ex-primeiro ministro teve uma intervenção direta para beneficiar as empresas de Carlos Santos Silva, explicou o comentador.