Constança Cunha e Sá acredita que o Orçamento do Estado, que vai apresentado esta quarta-feira na sua totalidade, vai ser «mais do mesmo», implicando que se as metas do Governo não forem atingidas, os portugueses vão ver um «novo aumento de impostos».

A comentadora da TVI24 referia-se às declarações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que hoje afirmou que o Governo estimou um défice de 2,7% em 2015, em vez dos 2,5% acordados com a troika, para não ter de aumentar a carga fiscal. Cunha e Sá deduz, que se algo falhar, então o primeiro-ministro já admitiu que vai subir os impostos.

«[Passos Coelho] diz que aceitou a flexibilização de 2,5 para 2,7%, porque esse 0,2% permitem não aumentar impostos. Ou seja, qual era a medida de recurso se alguma coisa correr mal, como corre sempre em relação ao défice com este Governo? Não é cortes na despesa, não é diminuição de impostos, nada disso, é aumento de impostos. (…) O que se percebe é que vamos ter um Orçamento [do Estado] com mais do mesmo», afirmou.

Cunha e Sá diz que esta é a forma que o Governo encontrou para definir um meio-termo entre Bruxelas e os contribuintes em ano de eleições, insistindo que o alívio da carga fiscal começa exatamente em ano de ir a votos.

«Vimos um Governo sem qualquer estratégia, parece que perdeu a orientação da troika e se limita a fazer uma coisa entre a austeridade e o eleitoralismo, [porque] há aqui umas folgas. Não é por acaso que o défice é aliviado em ano de eleições, os pensionistas são aliviados no ano de eleições e os funcionários públicos também», afirmou a comentadora.