Marcelo Rebelo de Sousa faz comentário político na televisão há muitos anos, mas entende que a influência dos comentadores mudou. 

"Já houve tempos em que acreditei que sim [que tinham poder] e isso dava muito gozo e eu era um dos comentadores. Hoje tenho a noção exata de que o peso é um peso muito limitado" 


A experiência, as audiências, a conjuntura - como a de um momento eleitoral  ou politicamente mais intenso - são fatores condicionantes para essa maior ou menor influência dos comentadores, na opinião do histórico do PSD.

"Mas penso que o poder dos comentadores só é verdadeiramente muito importante na base do enfraquecimento do poder dos políticos"


Já sobre os poderes político e económico, Marcelo Rebelo de Sousa vincou a interdependência entre ambos. "É um grande problema da democracia portuguesa e o poder económico começa a ser mundial, com chineses, árabes, angolanos, brasileiros. O problema é como se controla? Como é que se controla um Bank of China, uma Fosun, uma Anbang?", questionou.

Depois, na realidade política há "novos poderes emergentes" e o comentador da TVI e TVI24 destacou os magistrados, que competem nos rankings com o primeiro.-ministro e o Presidente da República, estando à frente dos deputados, por exemplo. Caso do procurador Rosário Teixeira, do juiz Carlos Alexandre ou da procuradora-geral da República Joana Marques Vidal.

Sobre se o poder mediático pode ser considerado primeiro poder, Marcelo Rebelo de Sousa discorda. "Pude comparar o poder mediático com a censura, a forma como irrompeu com a revolução e com a democracia, como foi subindo. Acho que o poder mediático já teve mais poder do que hoje, primeiro porque depende muito do poder económico". 

Para além disso, "os jornalistas perderam protagonismo". "Num produto que se chama televisão, o tempo informação é minoritário", nos canais generalistas.