Manuela Ferreira Leite ficou «bastante chocada» com o discurso do ministro da Segurança Social no Parlamento sobre a criação de um teto para as prestações sociais. Segundo Mota Soares, «ninguém que tenha idade e capacidade para trabalhar deve receber mais de prestações sociais do que se estivesse a trabalhar».

«É uma ideia perigosa para passar para a opinião pública. Esta não é uma fraude que está a contribuir para a situação do país. Transmitir-se a ideia à sociedade de que há uns que não fazem nada e recebem tanto ou mais do que quem trabalha é criticável, porque poderia levar à ideia generalizada de um certo combate ao Estado Social», reagiu Ferreira Leite, na
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Segundo a comentadora, as palavras de Mota Soares «podem levar a população que não beneficia destas prestações, mas paga impostos, a sentir uma certa tentação de revolta».

«É um discurso que leva a parecer que o Estado Social é errado. Mas o Estado Social tem retorno social. Nenhum de nós gosta de ir a um país onde em toda a esquina há pedintes. Uma parte dos nossos impostos deve ir para evitar isso», apontou.

A ex-líder do PSD tem «fortes dúvidas que este teto nas prestações sociais possa funcionar», até porque «pode ser uma violação da privacidade de cada um», ao obrigar, por exemplo, os cidadãos a terem de dizer quantas vezes foram a uma cantina social.