Constança Cunha e Sá considera que existe uma grande possibilidade de o Governo vir a baixar a carga fiscal, apesar de Passos Coelho e a ministra das Finanças terem avisado que o mais provável é que esta não seja a melhor altura para o fazer. 

A comentadora da TVI24 acredita que o primeiro-ministro será «obrigado» a recuar, até porque se a sobretaxa do IRS não baixar, com as novas propostas dos impostos verdes, a carga fiscal vai aumentar. 

«É evidente que houve duas tendências em sentidos contrários, é mais uma prova da total descoordenação que existe neste momento no Governo. Agora dá a ideia que o primeiro-ministro foi obrigado a recuar, porque já admite que pode haver espaço para poder reduzir os impostos. Até porque se ele não reduzisse o que nos propunha era um aumento dos impostos, [pois devido aos impostos verdes] se não mexessem na sobretaxa ou no IRS, o que aconteceria era só não havia redução no IRS como ainda aumentavam os impostos. (…) [Por isso] é natural que o primeiro-ministro agora recue».

Cunha e Sá vai mais longe, e acredita que mesmo que a descida da carga fiscal se fique por um nível «simbólico» o Governo vai apresentar a redução como uma grande vitória, para agradar aos contribuintes, antes das eleições.

«Isto vai ser anunciado com ar de grande vitória, principalmente para o CDS. [Mas] o primeiro-ministro não recua só por causa do CDS, mas também porque há muita gente no PSD que considera que tem de ser dado um sinal aos contribuintes em 2015, e que têm presente que é um ano de eleições. Por isso, não se pode deixar de aliviar a carga fiscal, até para se poder justificar, minimamente, o discurso do Governo de que o pior já passou».