A expectativa da ministra das Finanças em poder devolver, em 2016, 25% ou até mais da sobretaxa paga este ano em sede de IRS é um "foguetório", nas palavras de Constança Cunha e Sá. O Governo está a "vender politicamente" o assunto, considera por sua vez o também comentador da TVI24 António Costa. 

"Acho extraordinário que governo faça foguetório por devolver parte de uma medida que era suposto ser transitória . Não sou especialista, mas parece que não batem certo. O governo baralha propositadamente a coisas.  Resta saber como está a questão do IVA. A UTAO em julho levantou algumas reservas às contas do Governo. É extraordinário estarmos todos a bater palmas quando pagamos altos impostos"


Cunha e Sá fez ainda o reparo de que o Governo, quanto a este assunto, "apresenta contas à virgula, com simuladores no Portal das Finanças", mas "não quantificou na mínima o programa eleitoral".

Já o economista António Costa entende que é preciso reconhecer "a habilidade política de Passos Coelho e de Paulo Portas; com a apresentação pública de um portal onde quanto cada um pode fazer contas ao que poderá receber".

"A devolução de impostos a crédito serviu como uma luva para a campanha eleitoral. O que é que o Governo não está a dizer? O aumento da receita deve-se a menor reembolso de IVA, sobretudo por uma malha muito mais apertada nas empresas, no IRC e no IVA. O que me parece é que contribuintes em sede de IVA e de IRC vão ter surpresa desagradavel, pensavam que ia haver um atraso no reembolso, mas não só: a malha apertou de uma forma que não vai haver o nível de reembolsos que houve em 2014".


Face à previsão de receita e de défice para o ano corrente, na opinião do economista, "as coisas não estão a correr assim tão bem".

O Governo está, no fundo, a montar um "esquema para vender politicamente" a devolução da sobretaxa, considerou ainda António Costa.  "Mas o mais importante para o país e para o PS é se Portugal fica ou não com um défice orçamental abaixo dos 3%. Isso permitirá no novo governo maior flexibilidade. Portugal deixará de estar sob procedimento de défices excessivos".