Augusto Santos Silva considera que o Presidente da República se comportou como um ministro dos Negócios Estrangeiros do atual Governo, na sua visita a Paris, ao ter defendido as medidas do Executivo que fizeram tiveram impacto «positivo» no país, enquanto deixou de parte as regressões dos últimos três anos.
 
O comentador da TVI24 «não censura» esta posição tomada por Cavaco Silva, mas deixa subentendido que o Presidente da República deveria ter agido da mesma forma com o último Governo, o qual criticou.
 

«[Cavaco Silva] comportou-se como se fosse um ministro dos Negócios Estrangeiros do atual Governo, e devo dizer que não censuro o Presidente por apoiar o Governo em funções. Eu censuro o Presidente por usar um duplo padrão e por ter atacado demasiado um Governo em funções».
 


Veja também: «Reforma do Estado não é tornar permanentes os cortes nos salários»

Para Augusto Santos Silva, esta é uma posição compreensível, mas o desemprego, a pobreza, e a quebra do PIB e do investimento, podiam ter sido acrescentados ao seu discurso, se Cavaco Silva assim o quisesse.
 

«[O Presidente da República] não mentiu quando disse que a balança comercial portuguesa é positiva há três anos sucessivos, que crescemos 0,9% no passado e talvez possamos crescer este ano mais do que foi a previsão inicial do Governo e das organizações internacionais. O que Cavaco Silva podia acrescentar, se quisesse, é que no desemprego regredimos, na pobreza regredimos, no PIB regredimos e no investimento regredimos muito, mas compreendo [esta posição]».