Augusto Santos Silva, que foi Ministro dos Assuntos Parlamentares e Ministro da Defesa Nacional nos dois mandatos de José Sócrates como primeiro-ministro, comentou o caso que envolve o antigo chefe de Governo, esta quinta-feira, no programa «Política Mesmo» da TVI24, afirmando que o acompanha com «incredulidade», mas com «serenidade»

«Acompanho com incredulidade porque a acusação é gravíssima, está indiciado por crimes que são muito graves, mas também com serenidade porque José Sócrates ao fim destes anos todos sempre vai poder defender-se no lugar próprio. Sempre se disse muito mal dele, mas agora que está constituído arguido é que se vai poder defender no local próprio», justificou.

O comentador da TVI24 afirmou que confia na Justiça portuguesa e que espera que este seja um processo judicial justo, sublinhando que não compete à Justiça moralizar ou aperfeiçoar o regime.

«À Justiça não compete moralizar ou aperfeiçoar o regime, mesmo que os operadores judiciais pensem que há muito a aperfeiçoar no regime político. À Justiça compete apurar factos, interpretar e aplicar as leis e é isso que se espera», referiu.

Augusto Santos Silva falou em «aparato» à volta do caso que envolve o ex-primeiro-ministro, criticando um «excesso de violação do segredo de Justiça».

O comentador referiu-se ainda à entrevista de Passos Coelho, esta quinta-feira, à RTP, destacando a ausência de um lado humano nas declarações do primeiro-ministro.

«Mostrou o lado mais frio e tecnocrata que também exibe. Ele [Passos Coelho] quer ser valorado por ser um liberal, por ter cumprido os compromissos em termos de matéria orçamental, mas não tem uma mensagem de solidariedade para com as pessoas que passaram mal nos últimos anos», justificou.