O comentador da TVI Paulo Portas abordou, este domingo, no Jornal das 8, a visita de Marcelo Rebelo de Sousa aos Estados Unidos e o encontro do Presidente da República com Donald Trump. O momento público desse encontro mereceu especial atenção do comentador, pelo que foi dito e pelos “riscos” que comportava.

Esta visita tinha riscos, pela imprevisibilidade do presidente americano. Toda a gente sabe o que aconteceu, nesta mesma sala, à senhora Merkel, que ficou sem passou-bem; o que aconteceu ao senhor Macron, que não batia a bota com a perdigota em matéria de substância; e o que aconteceu na semana passada ao Rei de Espanha, (…) de repente, o presidente dos Estados Unidos, diz-lhe ‘eu quero ir a Espanha’ (no protocolo razoável, nós não nos fazemos convidados somos convidados). A primeira questão que o nosso Presidente da República tinha de evitar era que, nesta meia hora, acontecesse alguma coisa anómala. E eu acho que evitou.”

Paulo Portas destacou a habilidade diplomática do Chefe de Estado português para “dizer, diplomaticamente, sem dizer”, aquilo que Trump não queria ouvir, quando provocou Marcelo com a questão de Cristiano Ronaldo.

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Perante a questão de Donald Trump se Ronaldo seria eleito caso concorresse à Presidência da República, na altura, Marcelo Rebelo de Sousa, respondeu que “Portugal não é os Estados Unidos”.

É essa a diferença de termos um Presidente com talento. O que não está no guião é espontâneo. Ocorre ou não ocorre. O que é que eu acho que o Presidente da República quis dizer, diplomaticamente, sem dizer? (…) Foi que uma pessoa como Trump, num país como Portugal, não seria eleita.”

Paulo Portas recordou também o “reverso” da frase, que foi dito por Barack Obama, quando era presidente dos EUA: “Uma vez, perguntaram ao presidente Obama o que é que achava da dívida americana, que é muito grande, e o presidente americano respondeu (…) que a América não é a Grécia nem Portugal. Eu percebi que, para além do problema da dívida, nós tínhamos um problema de reputação: este senhor julga que nós somos como os gregos e é preciso desfazer isso, porque não somos.”

Mas, além do momento público entre Marcelo Rebelo de Sousa e Donald Trump e além do vigoroso aperto de mão entre os dois presidentes, que também deu que falar, Paulo Portas destaca ainda as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa na embaixada de Portugal nos Estados Unidos, em que o Presidente enumerou os assuntos abordados com Trump. E recordou uma “palavra misteriosamente incluída na declaração”: a palavra “energia”.

Para Paulo Portas, com a introdução desse assunto na conversa com Trump, Marcelo “encontra um novo espaço de cooperação possível, entre os Estados Unidos e Portugal, onde os interesses são coincidentes e não precisam de nenhuma adesão ideológica”. “Os EUA tornaram-se exportadores de energia e a Europa tem uma enorme dependência do gás da Rússia. (…) O primeiro barco dessa exportação dos Estados Unidos atracou onde? Em Sines”, lembrou.