Paulo Portas alerta para o perigo de um “conflito civil” na Venezuela e alerta Portugal para o papel que tem de desempenhar no assunto. No comentário deste domingo, no Jornal das 8 da TVI, Paulo Portas sublinhou que o falhanço da Venezuela enquanto Estado pode estar próximo.

Estamos muito perto de ver a Venezuela como um estado falhado (o que é extraordinário tendo eles as reservas petrolíferas que têm e a dimensão que essas reservas têm em termos globais) ou de um conflito civil. Porque as pessoas estão desesperadas e não há, aparentemente, nenhuma saída.”

O comentador da TVI considerou que “a Comunidade internacional tem feito pouco, relativamente a forçar uma negociação que permita dar um horizonte” aos venezuelanos e convidou a uma reflexão sobre a vida num país onde o Fundo Monetário Internacional prevê uma inflação de 1000000%.

Consegue imaginar a vida das pessoas? A vida dos comerciantes a mudarem os preços três e quatro vezes ao dia? A fazerem contas paralelas na moeda em que as pessoas efetivamente confiam?”

Paulo Portas alertou Portugal para o papel que tem de desempenhar nesta situação, uma vez que vivem na Venezuela cerca de 400 mil portugueses e lusodescendentes.

São comerciantes grande parte deles e apanham diretamente com este problema da moeda. Teremos sempre de ter uma posição que procure encontrar saídas e não uma diplomacia ideológica que não faz sentido.”

A Europa deve, diz Paulo Portas, tirar uma lição da forma como a América Latina está a lidar com a saída de migrantes venezuelanos para países vizinhos: “Aquilo a que estamos a assistir na Venezuela é um autêntico êxodo. Há saídas maciças todos os dias, com níveis de conflitualidade e até violência. A América Latina, apesar de tudo, foi capaz de aguentar e absorver um êxodo desta natureza. Só a Colômbia regularizou 700 mil venezuelanos nos últimos dois anos.”

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A questão da migração na Europa não foi aliás esquecida. Paulo Portas voltou a considerar que Bruxelas não está a lidar com o fenómeno migratório da melhor forma: “Estamos no verão. O Mediterrâneo é calmo no verão e dá a sensação que, em Bruxelas a única coisa que querem é que acabe o verão. Porque a Europa continua a gerir o problema migratório barco a barco.”

Trump e a “gente pouco recomendável” que o rodeia

No espaço assinado por Paulo Portas no Jornal das 8 de domingo, houve ainda espaço para o comentador se debruçar sobre a semana controversa que viveu Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Todas estas histórias à volta do pessoal político de Trump mostram gente pouco recomendável e também mostram uma relação um pouco crispada com as pessoas que trabalham com ele. Porque haver pessoas que gravam as conversas com ele é uma coisa um pouco excessiva, mas que revela vontade de coagir, vontade de trair ou vontade de se defender”, considerou.

Numa semana em que se falou muito de um pedido de impeachment do presidente norte-americano, Paulo Portas recordou os insucessos de outros casos de pedidos de resignação de governantes dos Estados Unidos, como foi o caso de Bill Clinton, que terminou mesmo o processo no papel de “vítima”.

O impeachement é uma coisa muito falada na imprensa e raramente praticada nas instituições. (…) Para haver um impeachment, é preciso que a Câmara dos Representantes acuse e o Senado julgue. A Câmara dos Representantes e o Senado estão nas mãos dos republicanos. Mesmo que haja alterações no próximo mês de novembro, é duvidoso que se atinjam as maiorias necessárias, sobretudo porque há uma fronteira muito fina entre acusação e vitimização.”