Pacheco Pereira afirmou, esta terça-feira, na TVI que o acordo à esquerda já nasceu "coxo" e que tem de ganhar legitimidade através da governação. 

"É um acordo tem de ganhar legitimidade pela governação, porque à partida nasce coxo. E nasce coxo porque o PS na prática perde as eleições".


Segundo Pacheco Pereira, apesar do acordo que existe ser “claramente um programa mínimo” isso “não significa que não possa ser sólido”, uma vez que PCP e BE "sabem muito melhor que nós os riscos do que estão a fazer”.

“Quer Jerónimo de Sousa, quer Catarina Martins, ambos sabem que essa liberdade de atuação está condicionada pelo exercício e pelo apoio à governação e sabem muito melhor do que nós os riscos do que estão a fazer. E também sabem que é um caminho que uma vez entrados não é fácil sair”.


Pacheco Pereira deixou ainda claro que o Partido Socialista não pode pensar que “nos próximos quatro anos vai estar em condições de abandonar os seus aliados e voltar a uma política de querer ter maioria absoluta à custa do PCP e do BE”.

O historiador reiterou que o partido precisa de “mutações mais profundas” e que quatro anos não serão suficientes “para que o PS possa sair do caminho em que entrou”.

No Jornal das 8, o historiador deixou ainda clara a sua opinião sobre a atuação do Presidente da República. Para Pacheco Pereira, se "o presidente da República entende que o supremo interesse de Portugal é um mecanismo fundamental, tem de aceitar" e que por isso, Cavaco deve aceitar o governo de esquerda e indigitar António Costa o mais rápido possível.

"Toda a gente compreende que um governo de gestão é francamente pior. Qualquer atraso que Cavaco Silva faça neste processo aumenta a instabilidade e é contraditório com o que ele diz sobre o comportamento e os mercados dão à estabilidade".


Segundo Pacheco Pereira, uma união entre partidos  ideologicamente opostos é um entendimento que “só pode funcionar na fase da boa fé - quem for para ali tentar retirar proveito políticos de curto prazo, vai dar-se mal”.