A comentadora da TVI, Constança Cunha e Sá, está convicta que a opção de não vender o Novo Banco (NB) antes das eleições é uma decisão política, que pretende esconder o verdadeiro “rombo” que aí vem após a venda.

Cunha e Sá critica o Governo que quis “vender à pressa e bem” e não conseguiu, e agora está praticamente garantido que não vai haver venda do NB antes do final de 2015.

“Está praticamente garantido que não vai haver venda do Novo Banco até ao fim do ano. Isto mostra por um lado um fracasso absoluto da estratégia do Governo, que queria vender à pressa e bem, e não conseguiu. Isto mostra, por outro lado, que esta decisão de adiar a venda do Novo Banco é uma decisão essencialmente política, porque o Governo não quer é que os portugueses conheçam o rombo que vai haver na venda.”


Cunha e Sá diz que começa a ficar evidente que o problema está “na origem”, isto é, quando se optou pelo fundo de resolução, para resolver o financiamento do NB. Mais um falha no programa da coligação, a juntar ao da Segurança Social e do plafonamento das reformas.

“Começam a ser muitos buracos escuros no programa da coligação. Já tínhamos os 600 milhões da Segurança Social, os custos do plafonamento das reformas, temos agora os custos do Novo Banco. Parece-me de um descaramento inaceitável termos, agora, Maria Luís Albuquerque a dizer ‘não temos nenhuma razão para estarmos preocupados', quando toda a estratégia de vender o banco no próximo ano foi uma estratégia assumida pelo Governo, que levou, aliás, à demissão de Vítor Bento. (…) Isto mostra que há aqui um erro de origem, que é o fundo de resolução."

Para a comentadora, toda esta questão podia ter sido evitada se o Governo não quisesse servir de “cobaia” do Banco Central Europeu (BCE).

“O Governo tapou a cara desta “pseudo” nacionalização, (…) dizendo que o fundo de resolução tinha sido imposto pelo BCE. O ponto não é esse, nós fomos e quisemos ser cobaias do BCE. Estreamos uma medida que nunca tinha sido aplicada e estamos, agora, a correr os riscos.”