Henrique Medina Carreira reiterou, esta terça-feira, que o grande problema da economia portuguesa continua a ser a elevada despesa do Estado, que precisa de continuar a ser reduzida para que o Executivo deixe de se sobre-endividar.

No programa “Olhos nos Olhos” da TVI24, Medina Carreira disse que os altos impostos pagos em Portugal são uma consequência da elevada despesa pública, que não podem baixar enquanto a despesa também não descer.

Para o comentador da TVI, ainda que a contenção da despesa pública seja a solução óbvia, esta não vai ser a receita que o Governo vai aplicar durante esta legislatura, pois isso colocaria em risco “a sobrevivência” do Executivo.

“Não é por malvadez que os decisores políticos arranjam impostos, é porque a despesa não o dispensa. Aquilo que não se controla em Portugal é a despesa, [isto é] qualquer Governo que tenha de reprimir a despesa, reduzi-la, não tem condições de sobrevivência. Por conseguinte, os Governos só agradam quando gastam muito dinheiro, simplesmente gastam para além daquilo que a economia portuguesa permite."


Medina Carreira critica a intenção do Governo de António Costa em repor salários e “pensões aos níveis de 2010”, já que essa decisão pode levar a um aumento da despesa em 20 mil milhões de euros.

“O grande problema deste Governo que chegou agora aí é que vai aumentar a despesa. Não vai controlá-la, vai fazer disparar a despesa. [O objetivo é repor as pensões aos níveis de 2010, mas] em 2010 só foi possível pagar essa despesa quando o Estado se endividou em 20 mil milhões de euros. Nós podemos endividar-nos em 20 mil milhões? Este é ponto de interrogação, e aquilo que eu estou ansioso por ver como vai acontecer.”

Num programa dedicado a “impostos disfarçados de taxas”, onde também esteve o advogado Tiago Caiado Guerreiro, Medina Carreira insistiu que Portugal continua a gastar além das suas possibilidades, o que se vai agravar com o novo Governo.

“Hoje só há os anti-austeridade e os pró-austeridade. Imagine que tem um salário de 4.000 euros e gasta permanentemente 6.000, sendo que os 2.000 [de diferença] vêm de uma tia rica, do banco, do que seja. A austeridade é uma coisa simples: o banco não lhe empresta mais e a sua tia rica 'manda-o à fava', por conseguinte você tem de manter-se nos 4.000. É isto, simples, Portugal tem de manter-se nos 4.000, naquilo que tem."


“Aquele trabalho que os economistas do PS fizeram prevê uma despesa pública em 2019 que é aquilo que é desejável: 43% do PIB. Nós estamos com 48%, [ou seja] qualquer política deve destinar-se a conduzir-nos aos 43%, porque é aquilo que é sério, mas não é isso que vai acontecer.”