Medina Carreira afirmou esta segunda-feira no programa "Olhos nos Olhos" da TVI24 que tem "dúvidas sobre as consequências" do cenário macroeconómico apresentado pelo Partido Socialista e "receios sobre o percurso dessas medidas" perante Bruxelas e os credores.

"Tenho dúvidas sobre as consequências e tenho receios sobre o percurso dessas medidas em Bruxelas, perante os credores."


Dúvidas e receios que o ex-ministro das Finanças justificou com o facto de o cenário socialista se basear numa lógica de consumo que, na opinião de Medina Carreira, consiste numa forma "limitada" de olhar para a economia.

"Em termos abstratos a tónica do grupo de estudos [do PS] é a procura, ou seja, é preciso pôr dinheiro nas pessoas para elas gastarem [...] numa cadeia de transações que anima a economia. Mas isto é uma forma limitada de olhar para a economia porque se fosse só isto não haveria nenhum país pobre. [...] no caminho podem surgir contratempos: o défice, os juros que podem ser exigidos."


Além disso, o comentador da TVI24 sublinha que "o susto que se apanhou foi muito grande" e, mesmo que as pessoas tenham mais dinheiro, haverá muita gente que, em vez de gastar, vai certamente poupar.

Ainda assim, Medina Carreira sublinhou que a apresentação destas propostas socialistas foi "uma pedrada no charco", uma vez que até aqui nenhum partido tinha divulgado medidas que constituíssem uma alternativa às políticas do Executivo.


Já em relação ao Programa de Estabilidade anunciado pelo Governo, Medina Carreira considera que se trata da "continuidade" daquilo a que o país tem assistido, "a um ritmo bastante tranquilo".  A solução do Governo é, para o comentador da TVI24, continuar "mais lentamente", mas "mais seguramente".

Medina Carreira não tem dúvidas de que os dois maiores partidos deviam juntar-se e arranjar um programa único para lidar com os problemas mais graves do país, como é o caso das pensões.

"Temos um problema que é da maior gravidade, que é o das pensões. Há problemas em que é preciso que os partidos estejam ligados, com responsabilidade governativa."


O comentador referiu alguns dos resultado obtidos após a aplicação do memorando da troika, afirmando que o programa era impossível de executar no espaço de tempo determinado e pondo em evidência os fracos resultados obtidos ao nível do controlo da despesa. Medina Carreira frisou que apenas a despesa em pessoal e em capital desceram o que, no conjunto dos cinco anos, fez com que a redução global tivesse ficado aquém das expetativas. O único caminho que resta é, para o comentador, "controlar" essa despesa. 

"Atingimos um peso da despesa pública em que o único caminho que nos resta é controlar a despesa pública. Temos o terceiro PIB per capita mais baixo da zona euro atrás da Estónia e Eslováquia. Entendo que no futuro vamos ter de mexer na despesa, pensões e salários.