Marcelo Rebelo de Sousa considera que o Presidente da República, como a figura que mais tempo esteve à frente do país, não pode falar em «implosão do sistema partidário», e não deve passar uma mensagem pessimista aos portugueses.

O comentador da TVI referia-se ao discurso de Cavaco Silva durante as celebrações do 5 de outubro, onde o Presidente da República advertiu para o risco de uma implosão do atual sistema partidário português.

Para Marcelo Rebelo de Sousa este tipo de discurso não pode partir de uma figura como Cavaco Silva, pois se o chefe máximo do país não tem «esperança na democracia e na República, quem é que tem?».

«O Presidente não pode exatamente fazer a mesma análise que eu faria, ou Marinho e Pinto faz sobre a implosão do sistema partidário. Devia ter adocicado essa expressão. Mesmo que pense que vai tudo acabar numa implosão do sistema partidário, ele é Presidente da República [e não o deve dizer]. (…) Falta ali esperança. Ele [Presidente] fala em esperança, mas o discurso é desesperançado. Um Presidente da República, que é o garante da República, se ele não tem esperança na República e na democracia quem é que tem?», afirmou Rebelo de Sousa.

No seu comentário semanal do «Jornal das 8», Marcelo abordou, também, o futuro do Partido Socialista, agora liderado por António Costa. Para o comentador da TVI, não existem dúvidas que a estratégia do PS vai passar por uma aproximação à esquerda, para conseguir uma maioria nas próximas eleições.

«António costa vai fazer o mesmo que fez na Câmara de Lisboa: (…) dividir e absorver uma parte do Bloco de Esquerda, entalar o PC retirando eleitorado, ir buscar novas sensibilidades que estejam a emergir, como o Partido Livre, e depois se precisar pode ir ao centro. (…) Ele vai fazer uma opção claramente à esquerda (…) vai apontar para uma maioria absoluta com um programa de esquerda, que foi o que fez na Câmara de Lisboa».

Rebelo de Sousa acredita que a coligação do Governo só vai conseguir fazer frente a este PS de António Costa, nas próximas legislativas, se não existirem sinais do seu enfraquecimento, que se notam na questão do IRS.

«Os portugueses acham que há [uma crise na coligação], e o que parece é. Eu não sei se há, não sei se Paulo Portas puxam pela baixa de impostos é para tirar dividendos para o CDS, e não há crise nenhuma, se Passos diz que não apenas para dizer “não levas nada” (…). A coligação tem de responder de forma forte, (…) mas pelo menos não dar sinais públicos da debilidade, haja ou não haja. [Porque] há espaço para um desagravamento do IRS, e Passos Coelho é o primeiro a saber, ele ficou irritado foi com a partidarização da questão».

No seu comentário, Marcelo Rebelo de Sousa comentou outros temas da semana, como a polémica em torno de uma paródia à tragédia da praia do Meco, e o alegado salário que o novo selecionador nacional de futebol, Fernando Santos, vai receber.