No seu comentário semanal no «Jornal das 8» da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa disse que apesar do ex-reitor da Universidade de Lisboa não ser um candidato tão forte como seria António Guterres, o PS acabará por apoiar Sampaio da Nóvoa, antes das legislativas.

«Houve uma minimização de Sampaio da Nóvoa. Para a direita, não se compara com António Guterres, com [António] Vitorino, com Jaime Gama, portanto [não conta], ou conta pouco. Discordo desta visão. (…) Obviamente, Sampaio da Nóvoa não é Guterres, mas a primeira pergunta que se coloca é: o PS vai apoiá-lo ou não? [Penso que] apesar de ele dividir o [partido] (…), acho que Sampaio da Nóvoa vai ser apoiado antes das legislativas. [Isto] porque o PS, provavelmente, vai aproveitar para fazer dois em um: utilizar esta candidatura presidencial (…) [como sinal de abrangência à esquerda]».

«[Sampaio da Nóvoa] está entre PS, PCP e Bloco de Esquerda, não está entre PS e PSD. Um pouco como Jorge Sampaio, porventura um pouco mais à esquerda, mas está nessa “onda”. [Ou seja] para já pode ajudar António Costa a tentar ir buscar a uma esquerda que o rodeia mais uns “porcentos” na luta contra o centro-direita».

O comentador da TVI vai mais além e coloca, ainda, um outro cenário: se Sampaio da Nóvoa vier a ganhar as eleições, isso significa que poderá vir a promover viabilizações de governos à esquerda. Ou seja, caso o PS vença umas legislativas sem maioria absoluta, com um presidente mais à esquerda, os socialistas passam a ter opção de coligação além do PSD.

«Se porventura Sampaio da Nóvoa ganha vai servir para [promover] entendimentos à esquerda, até viabilizações de governos minoritários do PS à esquerda, coisa que nunca aconteceu até agora. As pessoas pensam, se o PS ficar minoritário tem de ir buscar o PSD, com um presidente que cobre a esquerda toda o filme é outro. (…) [Por isso] não vejo por que é que os analistas e comentadores de direita ficam tão felizes com o aparecimento de [Sampaio da Nóvoa]. Falta saber se tenho razão na análise que estou a fazer…», acrescentou.

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Referindo-se, ainda, à direita, Rebelo de Sousa criticou o impasse do Governo em relação a uma decisão sobre a coligação PSD/CDS, que continua a ser adiada. Para o comentador «não é natural a leveza com que tem sido tratada a formação da coligação», e a maioria deve decidir-se o mais rapidamente possível.

«Não é muito natural, num Governo que está em coligação, a leveza com que tem sido tratada a formação da coligação. (…) As coisas preparam-se com algum tempo. E penso que nos últimos 15 dias há uma boa disposição, uma sensação de conforto, quer pode ser ilusória, excessiva. [Agora é] lá para maio, qualquer dia lá para junho, um pouco como o programa eleitoral de António Costa: há de ser um dia».

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