O comentador da TVI Marcelo Rebelo de Sousa disse, este domingo, no «Jornal das 8» que o PSD e o CDS-PP «estão condenados» a concorrerem coligados às próximas eleições legislativas, mas teme pela saúde da coligação daqui a «cinco ou seis meses».

«Nenhum deles, em rigor, pode dar um passo que seja contra a coligação. (…) Estão condenados a coligarem-se. Mas a sensação que dá é que a coligação não vive os seus melhores momentos. Não vivendo os melhores momentos, adiar por cinco ou seis meses a constituição de uma nova coligação ou reafirmar esta coligação para as eleições daqui a um ano não sei em que estado estará a coligação», disse o professor, no seu habitual comentário semanal.

«A este ritmo não estará muito fortalecida», remata.

Sobre os resultados dos testes de stress do Banco Central Europeu que chumbaram o Millennium BCP, Marcelo Rebelo de Sousa tem «uma teoria». «O BCP tem uma coisa que é muito cobiçada, o banco da Polónia. Em todos os anteriores testes de stress, para uma situação de crise, o BCP dizia que venderia o banco da Polónia por x valor. Desta vez, houve resistência do Banco Central Europeu em considerar essa hipótese com esse valor», adiantou.

«Sabem que aquilo tem valor e, porque há outros interessados europeus em ficarem com o banco da Polónia, mesmo o insuspeito BCE acaba por não ser indiferente, na minha interpretação pessoal, àquilo que são os interesses em causa», acrescentou.

O comentador da TVI sublina que, se os testes acontecessem agora, o resultado seria outro: «Neste momento, se houvesse os testes de stress, os resultados não seriam os que foram conhecidos agora».

Marcelo Rebelo de Sousa falou ainda de Durão Barroso, que terminou agora o seu mandato à frente da Comissão Europeia, e disse considerar que o antigo primeiro-ministro não tem agora «condições» para se candidatar à Presidência da República.

«Aquilo que parecia ser um mundo e uma Europa em 2004 é outro mundo e outra Europa e outra em Portugal dez anos depois. Mesmo que não houvesse razões pessoais a não ser candidato, não tem condições políticas que tinha em 2004 quando se olhava para o futuro e se pensava que ele poderia ser candidato à presidência da República», explicou.

O comentador considerou que «Durão Barroso tem a ainda a hipótese de ser candidato daqui a cinco anos ou daqui a 10 anos». Até lá, poderá fazer carreira no meio académico ou mesmo em empresas e dar palestras «por esse mundo fora», fazendo «contactos prestigiantes».